Opinião
Tempo de paz - Editorial
O Brasil reagiu prontamente contra a ação da Colômbia no Equador, no mês passado, mas ao mesmo tempo torceu o nariz para os beligerantes Chávez e Bush. No período, o venezuelano chamou o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, de criminoso e disse que mandaria tropas para a fronteira. O americano foi na contramão de todo o continente e deu apoio incondicional à violação do território equatoriano. Agora, com o acordo entre Colômbia e Equador, Lula trata de botar panos quentes com Chávez, para quem telefonou várias vezes, e com os EUA. Nos telefonemas para Chávez, Lula o felicitou pelo seu desempenho na reunião do Grupo do Rio, segundo o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Os dois acertaram também detalhes da viagem que fizeram juntos para Recife, onde está sendo instalada uma refinaria binacional. A questão das Farc e as relações internas na América do Sul são consideradas assuntos certos nas conversas de hoje entre Lula e os Estados Unidos. Outro tema na ordem do dia com os americanos é o Oriente Médio. Os EUA têm interesse na ampliação dos países que conversam sobre soluções para aquela região, e o Brasil se coloca como um deles. Foi anfitrião de um encontro Árabes-América do Sul, em 2005, e participou no ano passado de uma conferência entre árabes e judeus em Annapolis (EUA). Tudo isso é bonito no papel, no discurso, nas reuniões entre os diplomatas dos dois lados, ou de três, quatro... quantos forem. Mas a verdade é que o Brasil perdeu de novo a chance de fixar uma posição muito mais clara contra qualquer tipo de movimentação que signifique algum passo na direção do confronto, do conflito armado, da guerra propriamente dita. O povo brasileiro não deseja a guerra, é de espírito pacífico, e assim o País deve se postar.