Opinião
Razão ambiental - Editorial
Sabemos todos da importância da saúde ambiental do planeta e do Brasil especialmente. Temos o que durante muitos anos foi classificado como o pulmão do mundo. Pois bem. Com paciência e muita didática, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Gilberto Câmara Neto, explicou finalmente ontem, na Câmara dos Deputados, o Projeto de Estimativa de Desflorestamento da Amazônia (Prodes), que monitora a Amazônia por satélite. Durante audiência pública sobre o desmatamento na Amazônia, ele dividiu o desmatamento na região em duas grandes modalidades: corte raso, ou corte e queima método largamente usado nas décadas de 1970 e 1980, por ser rápido e degradação progressiva, que vem ocorrendo desde o fim da década de 1990. Nesse aspecto, o desmatamento começa com a extração seletiva de madeira, depois se sucedem as queimadas, em seguida a semeadura do pasto, até o corte total da vegetação. O processo se tornou conhecido por engana satélite, já que os produtores da área acreditavam ser possível fugir da fiscalização, comentou. Se as técnicas mais avançadas ainda não garantem a segurança sobre o patrimônio ambiental do País, imagine a urgência de algo que de fato possa ser realmente eficaz, no que diz respeito à proteção das fontes de biodiversidade que tanto falam em todo o mundo. O governo atual já disse ter reduzido as áreas desmatadas, mas os dados insistem em revelar outra realidade, ainda bastante preocupante. Segundo estudos consagrados mundialmente, a Amazônia sofre séria ameaça com a exploração ilegal de madeira e os garimpos também. De tal modo que é importante não perder tempo com debate ideológico sem necessidade. A partir dos dados apresentados ontem, as autoridades devem retomar a discussão para rever o que se faz com esse eterno pulmão.