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História e periodização

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| CLÁUDIO JORGE GOMES DE MORAIS * Walter Benjamin (1985) comentava sobre um anjo rabiscado em uma tela: Há um quadro de Paul Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína (...). Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade é o progresso. A necessidade de romper com o continuum da temporalidade histórica é missão do anjo benjaminiano em acerto de contas com o passado na tentativa de redimi-lo diante do presente. Já Fernand Braudel (1985), ao escrever O Mediterrâneo, propunha afastamento em relação aos pressupostos fisiológicos do positivismo. É com a pesquisa sobre o Mediterrâneo e Felipe II, que Braudel iria rever, principalmente, como o tempo é variável em relação aos eventos. A temporalidade discutida por Braudel admite a existência de três tipos de tempo: o primeiro está vinculado ao mundo imediato, ou o das aparências, que, segundo Braudel, a história dos eventos, ela sugere, embora rica em interesse humano, é também a mais superficial. O mesmo acontece com os eventos, para além de seu brilho, a escuridão predomina. A segunda noção traz o tempo em duração média, ou seja, em tempo de curta duração ou das permanências relativas; tempo ligado às estruturas que se encontram no subterrâneo da história. A terceira compreensão é o tempo da longa duração, que na história é representado pelo tempo da profundidade das estruturas semi-imutáveis. Braudel será duramente criticado por tentar fazer uma desaceleração do tempo histórico pelo viés de uma geo-história do Mediterrâneo. Os olhares sobre as representações dos tempos históricos nos remetem à tentativa de irmos além das tradicionais formas de periodização da história. É necessário oferecer compreensão histórica que esteja na contramão de periodização vinculada aos interesses repressivos (eurocentrismo, positivismo, historicismo e outros ismos). Assim, retorno a dizer que o domínio da história não está na reprodução do passado, mas no seu potencial de problematização com o presente, na tentativa revolucionária de quebrar a processualidade da temporalidade histórica, evitando, assim, o incessante e eterno retorno do passado.. (*) É licenciado e mestre pela UFPE e professor do Cesmac.

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