Opinião
Sem-terra da CPT - Editorial

Os movimentos sociais são legítimos e devem atuar no campo das reivindicações pela ampliação das melhores condições de vida para àqueles que representam. Não se contesta a necessidade do protesto, da mobilização, para buscar as conquistas necessárias ao crescimento como cidadão e à estabilidade de uma existência tranqüila. O problema é que os atos que seriam legítimos na luta pelos direitos dos chamados excluídos muitas vezes descambam para o sumário desrespeito à ordem legal vigente e para o vandalismo. Mostras disso dá a CPT, Comissão Pastoral da Terra. Em dois dias seguidos, os sem-terra da CPT quebraram o Espaço Cultural da Ufal e ameaçaram invadir um grande supermercado em Maceió. No primeiro ato, um verdadeiro crime contra instituição pública. Arrogantes e violentos, os manifestantes que ocuparam o Espaço Cultural produziram sinais de uma imensa distância entre a civilização e eles próprios. Ontem, mais uma vez, os sem-terra da CPT criaram o maior tumulto diante do Hiper Bompreço, no Centro da capital, com ameaça de ocupação para levar comida. A Polícia Militar impediu a invasão, mas clientes que estavam no local foram submetidos ao constrangimento de sair escoltados pelos policiais e muito perto dos bagunceiros. Negociaram com a direção da empresa o recebimento do alimento; como o governo estadual fechou acordo primeiro com a promessa de cestas básicas, o supermercado desistiu da caridade com os sem-terra. Aí eles voltaram a ameaçar a invasão. Felizmente, não ocorreu. Incentivados pela política do governo federal ao longo dos anos, os movimentos sociais se radicalizaram e buscam de qualquer jeito atingir seus objetivos. E quais são? Muitas notícias já mostraram os tentáculos políticos dos movimentos. O poder público não pode incentivar a marginalidade.