Opinião
Agenda do dossiê - Editorial
A pauta da política brasileira ainda patina em escândalos de cartões corporativos e dossiês, quando as questões urgentes do País são deixadas de lado. O alvoroço da vez é a ministra Dilma Rousseff e o tal banco de dados ou dossiê sobre gastos do governo tucano. Nesse ritmo, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Cartões Corporativos aprovou, no dia de ontem, a convocação de José Aparecido Nunes Pires, secretário de Controle Interno da Casa Civil acusado de vazar as tais informações sigilosas sobre o uso dos cartões no governo Fernando Henrique Cardoso. Também será convocado a depor André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que teria recebido o suposto dossiê, anexado em um e-mail enviado por José Aparecido. Na semana passada, um laudo do Instituto de Tecnologia da Informação revelou que dados sigilosos do governo FHC foram enviados por e-mail do computador de Aparecido para o de André Fernandes. A CPMI aprovou também pedido para que a Polícia Federal faça perícia no computador em que André Fernandes teria recebido o dossiê. Os detalhes se avolumam no sentido do tratamento policial ao que deveria ser dada a devida sobriedade que exigem os grandes temas nacionais. Como foi aprovado requerimento dando prazo de 24 horas para que a polícia envie os depoimentos, as audiências de José Aparecido e de André Fernandes podem ser realizadas ainda nesta semana. O relator da CPMI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), defendeu a convocação dos dois. Seria muito ruim para a sociedade brasileira se esse fato não fosse esclarecido. A presença do José Aparecido e do André é fundamental para que esse fato seja esclarecido. De fato, muita coisa pode ser ruim nesse caso. Inclusive esticá-lo apenas de olho nas urnas.