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O Brasil e nossos riscos

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O Brasil conseguiu, no mês de março, o maior superávit comercial, desde 1989. O expressivo resultado positivo de US$ 5,248 bilhões, provocou euforia na bolsa de valores que manteve a tendência de alta das últimas semanas. Paralelo a isso, contribuíram, também, as propostas de reformas da previdência e tributária que o governo Lula encaminhará ao Congresso e que contaram com entusiástico apoio de organismos multinacionais, com o Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento. O expressivo resultado da balança comercial decorreu, na opinião de analistas econômicos, da antecipação de fechamentos de contratos, em decorrência dos preços favoráveis de soja, café, açúcar e minério de ferro, principalmente. Como existe um temor de desaquecimento global da economia mundial e dos Estados Unidos em particular, ?as empresas estão vendendo tudo o que podem para aproveitar os preços das commodities?, afirmou o diretor da Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Precipitadamente, algumas autoridades da área econômica do governo, fizeram declarações, alterando para cima as previsões sobre o saldo da balança comercial, em 2003. Seria sensato, observar os próximos meses ? quando a depreciação do câmbio influenciar as exportações ? para se ter uma idéia mais precisa do comportamento do nosso setor exportador. Isto é: se é apenas decorrência de uma situação atípica, que não se repetirá, ou se é uma tendência cristalizada. Tendência cristalizada ? se medidas urgentes não forem tomadas ? é a elevação contínua do desemprego em São Paulo, pelo terceiro mês consecutivo. Dos 97 mil postos de trabalhos fechados, a maior parte ocorreu no setor industrial (48 mil) - principalmente de trabalhadores sem carteira assinada e autônomos. Um mero exercício especulativo permite imaginar o que seria dos trabalhadores formais, se não existisse uma legislação que dificultasse a demissão imotivada deles? Diminuir o risco-Brasil, flexibilizar os diretos trabalhistas seria, na verdade, abrir caminho para as demissões sem custos econômicos. O país real aguarda medidas que atenuem o desemprego e apontem na direção do crescimento econômico. Elas virão?

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