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Opinião

Agentes culturais 1

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| MARCIAL LIMA * A Gazeta de Alagoas, em edição recente, dá conta de que a secretaria de Educação do Estado está convocando agentes para atuarem em diversas áreas das expressões artísticas. O fato nos enche de alegria e motiva algumas considerações, vez que esse acontecimento é resultante de um processo iniciado em 2000, quando, ali, sugerimos a criação da Coordenaria de Ação Cultural CorAC , através do projeto A Escola como Pólo Cultural da Comunidade. À época, diante de desafios conceituais, realizamos reflexões internas e, a partir daí, tendo como critério a aptidão verificada em seus currículos e comprovada em trabalhos de dinâmica de grupo, à guisa de projeto piloto, agentes passaram a atuar em algumas unidades de ensino. O primeiro desafio foi discernir o campo de ação da CorAC, já que, embora a rede pública estadual de ensino fosse o ponto de partida e de chegada de suas ações, sua atuação se propunha ir além da sala de aula, extrapolando o desempenho do professor, à medida em que objetivava atender e fomentar demandas artístico-culturais no cotidiano da escola, levando em conta a realidade de seu entorno. Para evitar distorções, procuramos entender a especificidade do agente cultural, já que o professor, quando em sala de aula, tem sua ação delimitada pelos conteúdos previstos na grade curricular, dentro de um desempenho metodológico definido, vez que o ensino normatizado determina uma relação entre conteúdo e tempo, contemplando, inclusive, questões relacionadas com processos avaliativos, determinando a mensuração de aprendizagem. A ação cultural, no entanto, mercê de sua natureza específica, gera processos criativos que escapam do conhecimento formal e apontam para o modo de produzir interferências, expressões e reflexões para além da atividade pedagógica. Tendo a cultura como veículo entre a escola e a comunidade, os agentes culturais atuariam como catalisadores de atividades socioculturais permanentes, motivando o acesso a níveis mais significativos da criação; nunca sendo demais esclarecer que tal mister diferenciava-se da mera promoção de eventos, de iniciativas que resultavam apenas em entretenimento. Dessa forma, sob a ótica da ação cultural, a escola viria a extrapolar a formatação e a difusão do conhecimento, considerando os saberes produzidos pela comunidade, propiciando o trânsito de educandos, educadores e funcionários pela produção cultural local. (*) É professor e presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural FMAC.

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