Opinião
Sombras na ribalta - Editorial
Embora seja uma realidade de mercado há muitos e muitos anos, a indústria cultural funciona de formas diferentes nos distintos mundos da economia. No terceiro mundo, por exemplo, a cultura tem lá seus momentos industriais, geradores de polpudos lucros em vários nichos de atuação mas, verdade seja dita, essas ocorrências afortunadas são exceções. A regra, pelo menos nos ditos países em desenvolvimento, é a dureza total, a indigência de saldos bancários positivos decorrentes da promoção e produção das artes e da cultura. Cotidianamente, quem moureja no segmento das produções artísticas e culturais, sobrevive sob as mais minguadas condições financeiras, num verdadeiro assar-e-comer, mais assando(-se) que comendo, seja dito. Em tal realidade, é indispensável que seja ouvido com atenção as reclamações e as propostas dos produtores e produtoras culturais alagoanos no tocante aos critérios de uso da melhor sala de espetáculos de Alagoas. Único em seu estilo no Estado, o Teatro Gustavo Leite (solitário em sua capacidade de 1,2 mil espectadores, tecnologicamente contemporâneo, etc.) aparece para a produção cultural alagoana como uma miragem. Lá está, alvissareira, brilhando no meio do deserto mas é apenas uma ilusão. Longe de viabilizar produções lucrativas (a alma do negócio, também nas artes e na cultura), o moderno teatro tem, ao mesmo tempo, acendido e apagado as esperanças das pessoas que sonharam (sonharão ainda?) em viver, profissionalmente falando, da arte e da cultura em nosso Estado. É hora das luzes da ribalta do Teatro Gustavo Leite serem reacesas e reajustadas em seu foco, iluminando também as perspectivas da produção artística e cultural alagoana. Com bom senso, sem apadrinhamentos nem perseguições, o caminho adequado para todos os envolvidos.