Opinião
Desafio essencial - Editorial
Comemorado ontem, o Dia do Meio Ambiente segue com imprecisa cara de metade, daquelas que se pergunta (sem resposta): meio cheio ou meio vazio?. Na verdade, a política ambiental, desagradando a gregos e troianos, parece sempre ter a cara de meio vazia. Sempre está a faltar algo, mesmo que algo de conteúdo possa ser registrado. Na verdade, os principais atores envolvidos neste espetáculo (tragédia, na maioria dos casos) da vida contemporânea ainda não tem clareza sobre suas propostas. O governo é meio ambientalista e meio depredador ao mesmo tempo; os ambientalistas são meio coerentes e meio ingênuos simultâneamente; os partidos são meio contra, meio a favor; mas os responsáveis pelas principais agressões à Natureza são inteiramente firmes e unidos: devastam florestas, poluem as águas e o ar sem meias palavras. Para as forças mais representativas da cidadania, aquelas que declaram suas preocupações com o futuro do País, estão longe de começarem a construir propostas lógicas, coerentes, para políticas públicas capazes de, concomitantemente, atenderem aos (pelo menos parte) anseios ambientalistas e às necessidades (indiscutíveis) do crescimento econômico. Na ausência desta capacidade de fusão entre concepções inicialmente tão distintas, uns e outros agarram-se ao adjetivo sustentável como se fosse uma palavra mágica, varinha de condão com o poder de unir responsabilidades sociais e ambientais com a expansão da economia. Pobre vocábulo, insustentável em sua leveza de ser o doce conciliador de antagonismos azedos, tornou-se um pastel de vento, belo e oco. São imensos os desafios a enfrentar para a indispensável necessidade de unir as vias do ambientalismo e do desenvolvimento. Não há como o Brasil fugir desse desafio, nem continuar a errar em ambos os caminhos.