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Riscos dobrados - Editorial

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Continua difícil a posição do governo estadual junto à Assembléia Legislativa. Prova disso foi o recente boicote (à sessão de 5 de junho), remetendo à geladeira projetos importantes para o poder executivo. A delicada condição do governo estadual, a bem da verdade, é anterior a crise dos Taturanas, pois desde a definição dos resultados das eleições de 2006 ficou solidamente indefinida a construção de uma bancada governista. Fiel à sua tradição de deixar como está para ver como é que fica, o governador deixou-se ser adotado por um grupo de deputados desde o alvorecer da atual legislatura. E esse núcleo de poder político parlamentar é exatamente o centro alvejado na Operação Taturana e daí por diante, tudo se complica. É absolutamente natural a pressão desse núcleo afastado de seus mandatos para não se afastar do poder. Como o Executivo continua a se recusar (pelo menos aparentemente) a construir sua própria bancada, deverá ser continuadamente submetido a este tipo de pressão explicitado na quinta-feira e faltará, por apenas um ou dois votos, o número mínimo para apreciar as matérias de interesse governamental. Até que... Isso não é novidade, o jogo parlamentar sempre teve tais regras de bastidores. Duas novidades, porém, estão marcando o atual momento alagoano: a particularidade do centro do poder parlamentar estar do lado de fora da casa legislativa e a inexistência de um núcleo sólido (mesmo que minoritário) de apoio ao governo. Qual o risco desta dupla anomalia? O engessamento do Estado, como resultado de uma inglória queda-de-braço entre uma inexistente bancada governista e um persistente núcleo duro, exógeno ao poder constituído. Assim sendo, estamos diante de uma realidade da qual não podem ser previstos quaisquer resultados positivos. E, no rumo dessa nau dos insensatos, toda sociedade alagoana pagará a conta em dobro.

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