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Psicologia e espiritualidade nos conflitos

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| DOM FERNANDO IÓRIO * Forte tendência existe, hoje em dia, a buscar soluções psicológicas para diferentes situações humanas. Não há como negar a busca constante ao que se tem chamado de cultivo da espiritualidade. Podemos asseverar que, atualmente, se psicologiza a espiritualidade e se espiritualiza a psicologia. Será que existe, afinal, algo em comum entre o fazer psicológico e a prática religiosa? A resposta, talvez, coubesse em vários livros. Entretanto, para o nosso caso hic et nunc, alguns detalhes revelam a necessidade que temos de ambas. Religião etimologicamente se prende ao latim religare que é igual a ligar. Numa palavra religa cada pessoa com o ser supremo, com o transcendente. Religião, por conseguinte, traz para as pessoas e para o mundo aquele sentido de transcendência, de que as coisas não se reduzem ao que se vê e acontece, mas que revela a existência de um ilimitado que participa desta vida que vivemos, tornando-se parte importante dela. A psicologia, em contrapartida, lida com compartimentos e emoções humanas. Trata-se de nosso modo de ser e de agir carregado das nossas limitações características. Quando alguém passa por algum sofrimento, alguma crise, pensa logo em buscar auxílio na psicologia, ou na religião, ou em ambas, amparando-se numa e buscando a outra. Com efeito, pode a psicologia ajudar, a quem pratica ou não uma religião, a compreender seus próprios sentimentos e reações, a ter uma visão mais clara da situação como um todo, a enxergar e compreender os outros, a ensaiar mudanças, a reorientar a existência. A religião, por sua vez, pode ajudar a transformar a consciência dessa limitação em humildade que é a certeza de estar plantando na terra úmida, passível a todas as intempéries sem controle absoluto sobre as infinitas possibilidades criadas pelo amor criador que a tudo envolve, gerando consolo, esperança e sentido verdadeiro da vida. Moreno, criador do psicodrama, escrevia: Quando eu te encontrar face a face, olhar a olhar, que eu possa arrancar os teus olhos e colocá-los no lugar dos meus, e que tu possas arrancar os meus olhos e colocá-los no lugar dos teus, então eu te verei com os teus olhos e tu me verás com os meus. Somos iguais e diferentes, com alegria e céu cinzento, com tristeza e céu sem nuvens; então veremos que o mundo não começa, nem acaba em nós mesmos. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.

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