Opinião
Elos produtivos - Editorial

Jacta-se o governo federal com os números do Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA). E, de fato, são grandiosas as cifras: desde 2003, quando foi criado, até hoje, o investimento ali é de R$ 1,5 bilhão. Seguem-se os outros principais números desta conta: 432,8 mil agricultores tiveram seus produtos adquiridos pelo PAA nestes cinco anos e esses alimentos teriam chegado às bocas de 24,4 milhões de pessoas em todo Brasil. Informa o Planalto que o PAA paga a cada produtor R$ 3,5 mil, por ano, na área agrícola, e o mesmo valor, por semestre, no caso do leite, explicando que esse programa envolve ações dos Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; do Desenvolvimento Agrário; da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Educação; Fazenda; Planejamento; a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), além de Estados e municípios. Sem dúvidas, pelo descrito, tem suas razões o governo de envaidecer-se dessa obra. Para um País de tamanhas contradições como o nosso, é fundamental que sejam implantados projetos capazes de ultrapassar as limitações do assistencialismo e de construírem verdadeiros elos de ligação entre as cadeias produtivas e os consumidores e, especialmente, conseguir alcançar os consumidores das faixas sociais mais desfavorecidas. Pelo apresentado, o PAA ganha visibilidade nesses pontos. O mesmo não acontece com o carro-chefe do governo, o Bolsa Família e seus agregados, programas que simplesmente distribuem dinheiro. Apesar dos discursos em contrário, essas ações são indiscutivelmente (ao contrário do citado PAA) assistenciais e não estimulam nem a autonomia financeira dos pobres nem a redução do ócio forçado (gerado pelo desemprego crônico). Torçamos para que o sucesso do PAA emule o governo federal a desenvolver idéias semelhantes.