Opinião
Afundando na crise - Editorial
Motejando da realidade adversa e desdenhando a opinião pública, a Assembléia Legislativa de Alagoas parece querer investir no próprio descrédito junto à população. Na verdade, a opinião pública brasileira cada vez mais descrê das instituições políticas e o desalento recai com mais peso sobre o Legislativo e o Executivo, ora mais sobre um, ora mais sobre outro. Mas, como se diz no popular, vamos remando (e as coisas vão seguindo seu caminho de uma forma ou de outra). Em Alagoas, porém, depois da deflagração da Operação Taturana, o cenário mudou inteiramente de figura e o desgaste do parlamento estadual deu um grande pulo para baixo (em termos de conceito popular). A vetusta Casa Tavares Bastos desabou moralmente desde o abalo taturânico e, aparentemente, ninguém, em meio a suas ruínas, preocupa-se em reconstruir um mínimo que seja do prestígio desta instituição essencial para a democracia: o parlamento. Deputados e deputadas parecem não perceber o repúdio da opinião pública contra todas as tentativas daquela casa em ignorar esta nova realidade. Uma das referências da repulsa popular é a inflexibilidade na preservar o valor do duodécimo daquele Poder. Além dos dirigentes afastados da mesa original, as duas versões provisórias que lhes substituíram teimaram e teimam no mesmo erro: aferram-se com unhas e dentes aos valores que possibilitaram o desvio de R$ 300 milhões. E o mais impressionante é que 26 dos 27 integrantes da Casa estão coesos, firmes e inabaláveis na defesa da irredutibilidade do adiposo duodécimo. A revogação dessa decisão judicial só aumentará o esgarçamento ético da Casa junto à opinião pública. O busílis não é jurídico e sim político. O corte é uma decisão que precisa ser compreendida pelo próprio parlamento como passo inicial de um processo de reconstrução moral daquele Poder.