Opinião
Discípulos e missionários na trilha da Conferência
| DOM ANTONIO MUNIZ * Gostaria de, nestes dois artigos, refletir um pouco sobre a 5ª Conferência do Episcopado Latino Americano e Caribenho, celebrado no mês de Maio, na cidade de Aparecida (SP). O papa Bento XVI fez questão de se fazer presente na abertura desta Conferência. É neste espírito que queremos celebrar o Ano Paulino, ao qual já estou fazendo referência em meus artigos semanais, e continuaremos durante todo este ano missionário em nossa Arquidiocese de Maceió: Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que n'Ele nossos povos tenham vida, 'Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida'. Com este tema, delegados de vinte e duas Conferências Episcopais da América Latina e do Caribe celebrarão a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Amaricano e do Caribe, aqui no Brasil, no Santuário de Aparecida São Paulo. Antes de dizermos algo a respeito de nossas expectativas para a 5ª Conferência, olhemos para as quatro Conferências anteriores. A primeira Conferência Geral aconteceu em 1955, no Rio de Janeiro. No entanto é segundo o espírito do Concílio Vaticano 2º que se desenvolvem suas primeiras Conferências Gerais. Porque, na verdade, a Conferência do Rio de Janeiro deixou, como marca, a existência do próprio Celam (Conselho Episcopal Latino Americano). Sua preocupação era quase exclusivamente interna, afirmando de modo um tanto apologético a Igreja diante do mundo e das outras religiões. A preocupação pastoral não é a tônica do documento, apesar de algumas pequenas frases indicarem uma preocupação pastoral. Portanto, essa Conferência Geral não fez história mais significativa no seio da Igreja latino-americana. O que vai ocorrer com a Conferência seguinte, a de Medellín, em 1968, e depois com as outras subseqüentes é bem diferente. Costuma-se dizer que Medellín, se não é a certidão de nascimento do Celam, é o batismo da Igreja latino-americana, enquanto Puebla, em 1979, é a sua confirmação. Essas conferências, incluindo aí também Santo Domingo, em 1992, situam-se na linha do Concílio Vaticano 2º, de acordo com o Espírito norteador de duas constituições daquele Concílio, a Lumen Gentium e a Gaudium et Spes, reconhecidas como os dois grandes eixos do Concílio Vaticano 2º. (*) É religioso da Ordem Carmelita e arcebispo Metropolitano de Maceió.