Opinião
Ajuste exemplar - Editorial
Em feliz decisão, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) modificou sua resolução acerca das entrevistas com pretensos candidatos, liberando a fala das personalidades que se propõem a ir às urnas neste ano. Justo posicionamento, comprovando a flexibilidade necessária da Justiça Eleitoral em cumprir a Lei de forma rigorosa sem, no entanto, engessar a própria liberdade de expressão nem tolher o natural esforço jornalístico para cobrir as principais polêmicas. E nesse momento, o interesse central da opinião pública está centrado indiscutivelmente na figura dos pré-candidatos. Sem dúvida nenhuma, a chamada mídia espontânea é alvo natural de interesses menores, de tentativas de manipulação e tudo mais que faz parte do complexo processo de luta pelo voto alheio. Mas a necessidade de coibir abusos não pode se confundir com o cerceamento ao direito básico da imprensa em buscar personagens, fatos e idéias que, independentemente da vontade das editorias, conquistaram espaço junto à opinião pública. E as entrevistas são peça fundamental desse rico e contraditório processo de construção da democracia representado pelas articulações dos partidos e das lideranças políticas visando a composição de alianças e lançamento de candidaturas. Em tal cenário, devem ser criadas formas práticas, baseadas em normas objetivas e transparentes, para nortear o trabalho da mídia, disso ninguém discorda. A ação de proibição às entrevistas com pré-candidados deve ser vista como uma dose exagerada de um remédio necessário; agora, o caso é ajustar a dosagem ou aplicar outro medicamento capaz de combater a doença e não o paciente. O mais importante em todo esse caminhar é que o Brasil, através da Justiça, da imprensa e de todos os interessados na democracia, estão buscando o caminho certo de combater todas e quaisquer formas de manipulação eleitoral.