Opinião
Pelo voto consciente - Editorial

Em tempo de caça ao voto, redobram-se os cuidados da Justiça Eleitoral e, especialmente neste ano, as atenções redobradas estendem-se a um esforço adicional de educação cidadã, buscando chamar a atenção para o crime da venda e compra de votos. A banalização da compra & venda de votos é um dos maiores problemas do processo eleitoral, comprometendo seriamente os esforços desenvolvidos para debelar tal prática nociva. Deixar claro a qualificação deste ato (tanto faz comprar como vender) como criminoso, é um primeiro passo num processo onde se pretende uma significativa ampliação da capacidade fiscalizadora por parte dos poderes públicos sobre esse e outros delitos eleitorais. O delito da negociação do voto tem registros na história e na literatura desde que o voto é voto. Tal comprovação serve como incentivo para o estabelecimento de políticas permanentes de combate a esta praga que acompanha a história dos processos eleitorais, corroendo-lhes a legitimidade e comprometendo o desenvolvimento da democracia. Têm crescido enormemente, em Alagoas, nos últimos anos, as denúncias de compra e venda de votos, seja por dinheiro vivo, seja através do escambo social (voto por cesta básica ou outros bens quaisquer). Os relatos dão conta, inclusive, do surgimento do corretor de votos, evolução canhestra do cabo eleitoral, agora munido de cadastros onde estariam listados nomes, números dos títulos eleitorais e suas respectivas urnas, fornecidos para a conferência pós-eleição da excelência do trabalho de corretagem de sufrágios. Em boa hora, os poderes públicos e as entidades representativas da sociedade redobram suas ações de enfrentamento a essa prática criminosa. Uma ampla campanha educativa será uma arma essencial nesta batalha, pois, infelizmente, esse mal está enraizado em nossa sociedade.