Opinião
O lixo em pauta - Editorial

Aviso aos navegantes: está anunciado para ainda este mês, na Câmara dos Deputados, o início das definições para a formação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ou seja, o lixo terá tratamento político adequado, passando a receber a atenção de uma legislação mais adequada ao mundo contemporâneo e aos gravíssimos problemas ambientais. Segundo os estudiosos, atualmente estão sendo recolhidas diariamente mais de 185 mil toneladas de lixo em todo Brasil. E, como se sabe, o destino desses resíduos está longe de ser ambientalmente correto em todo Brasil, embora devam exceções elogiáveis, porém isoladas num contexto amplamente desfavorável. Cena recorrente em todo País, os tristemente famosos lixões são encontrados em todas as cidades de médio porte, em todas as regiões. Essas montanhas de resíduos, freneticamente garimpadas por multidões de famélicos tornados profissionais da reciclagem, são indiscutíveis exemplos de tudo o que possa ser errado. Os lixões, símbolo vivo da deficiência brasileira no tratamento do lixo urbano, conseguem ser incorretos em tudo: politicamente, ecologicamente, socialmente, culturalmente, visualmente... Pois, mesmo que tardia, começa a gestação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Oxalá não seja uma barriga alugada ao debate interminável e às querelas da pequenez política, pois o Brasil já perdeu muito tempo para definir um conjunto de normas práticas para unificar a preocupação ambiental e os procedimentos de tratamento dos resíduos da urbanidade e do consumismo típicos de nossos tempos. Os debates têm se guiado por uma proposta encaminhada pelo Executivo ao Congresso em setembro do ano passado (PL 1991/07) e, em boa hora, as conclusões têm de começar a ser cobradas, sob pena de mais esse esforço modernizante ser atirado à lata do lixo.