Opinião
Alegres números - Editorial
Apesar da extensão da crise do desemprego ser tamanha que dificulte a percepção de avanços reais na multiplicação da oferta de novos postos de trabalho, é alvissareira a constatação de um permanente crescimento do mercado de trabalho no Brasil. Não é o espetáculo prometido, isso é verdade. Mas, pelo menos, mesmo com timidez, permanece em cartaz o aumento, dia após dia, do surgimento de vagas para a mão-de-obra brasileira. Segundo pesquisas recentes, o carro-chefe (novamente) deste ascenso é a construção civil, que no primeiro semestre deste ano de 2008, abriu aproximadamente 1,4 milhão de novos postos de trabalho devidamente consignados em carteiras assinadas. Esse número é saudavelmente superior ao registrado no mesmo período do ano passado em 24,2%. De acordo com registros feitos durante o mês de junho, foram criados 309.442 empregos, 70% a mais que o resultado de junho de 2007, segundo nos informa o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho. Registre que esses dados tornaram-se novos recordes, semestral e mensal, da série histórica do Caged, iniciada em 1992, segundo a mesma fonte. Compilados os resultados do mês de junho, avalia o Caged, o estoque de empregos formais no País aumentou 4,7%, atingindo 30,4 milhões de postos de trabalho. Ressalte-se que esses dados superam as expectativas oficiais do Ministério do Trabalho. Aplausos para tais resultados. Mas isso não significa dizer que a partida está ganha. Nosso time fez um gol, mais um, porém estávamos perdendo de goleada há muito tempo e sequer conseguimos ainda empatar o jogo. Precisamos de mais, com maior rapidez e segurança, afastando o risco das reações efêmeras. O exército de desempregados no Brasil ainda é um dos maiores e mais desarmados em todo mundo.