Opinião
Tentáculos da droga - Editorial

Com a prisão de um grupo apontado como o responsável pelo assassinato de dois jovens no município de Marechal Deodoro, fica mais evidente o enraizamento do tráfico de drogas em Alagoas. Há um bom tempo já se sabe que, na capital alagoana, o tráfico de drogas cresceu assustadoramente nos últimos anos, estendendo seus tentáculos de morte seja na periferia seja nas áreas mais valorizadas. A interiorização deste crime, pelo menos em termos de informações chegadas à imprensa, é o que não está ainda muito claro, embora seja evidente a expansão deste crime para todo Estado (como nos demais Estados). O duplo assassinato ocorrido em Marechal Deodoro pode ser encarado como mais uma ocorrência na grande Maceió, em função das ligações e da proximidade física entre as duas cidades. Nada mais natural que os grupos criminosos usem municípios contíguos às capitais como base de distribuição. Em função da presença de um jovem italiano entre os dois assassinados elevou o acontecimento a níveis imprevistos pelos bandidos e com o aumento da pressão das investigações policiais, o barraco caiu. E o que se vê, pelas informações divulgadas pela polícia, é uma teia criminosa que vai além dos homicídios. Como Rio ou São Paulo, Alagoas começa a ser flagelada pela ousadia letal das gangues de traficantes, que definem seus perímetros de domínio e passam a ser senhores da vida e da morte, subjugando comunidades inteiras. Em grandes centro urbanos, esse processo tornou-se um monstro incontrolável. Em Estados como o nosso, é possível que, baseando-se nas experiências desses outros locais e tentando combater esse mal enquanto ele ainda está em processo de enraizamento (como parece ser o caso alagoano). Para tanto, faz-se necessário redobrar ações de inteligência e incursões aos focos identificados, desde já, sob pena de perdermos a guerra.