Opinião
Agredindo o povo - Editorial

Mais uma vez, a população é a única prejudicada por um protesto do tipo paralisação. Só que desta vez, ontem, o motivo do transtorno nada mais era que uma briga intestina num sindicato. Engalfinham-se dois grupos pelo comando do Sindicato dos Motoristas e a pancada é desferida no lombo da população. E tem liderança considerando isso normalíssimo, um direito da categoria. Tal absurdo, infelizmente, parece se generalizar. Na falta de um patrão a quem enfrentar, grupos dos mais diversos passam a direcionar seus protestos contra a população. Inocente, sem ter nada a ver com os problemas colocados, sem poder se defender, nem muito menos poder contribuir (de alguma forma) com a resolução do conflito gerado da agitação, a população é simplesmente castigada e não tem como se recuperar dos transtornos e prejuízos causados por esta forma irresponsável de protesto. Ontem, ao impedirem os ônibus de circular pela cidade, os líderes do protesto abusaram desta forma inconseqüente de manifestação, mas verdade seja dita não foram os tumultuadores de ontem os inventores desse tipo de agressão à cidadania. Grevistas das mais diversas categorias e os muitos agrupamento dos sem-alguma-coisa (terra, teto...) usam e abusam deste conceito nocivo de ação reivindicatória. Alunos perdem ano letivo por conta de protestos dos professores, pacientes mofam em salas de espera pela causa do pessoal da Saúde, transeuntes perdem o dia de trabalho em bloqueios dos sem-compromisso-com-a-cidadania... Ou seja, a baderna é a palavra de ordem prática. Ao fim e ao cabo, quer os reivindicantes tenham ou não suas propostas atendidas, a população finda inapelavelmente prejudicada. E não tem a quem nem como reclamar, afinal é simplesmente o povo, vulnerável e despossuido de verdadeiras lideranças sociais.