Opinião
Companheiros do nosso viver
| MILTON HENIO * Em nossa vida há dois personagens que são inesquecíveis a nossa avó e nosso avô. Ainda hoje trago bem viva na minha memória as lembranças de momentos inesquecíveis com eles vividos. Ontem, no calendário do tempo foi comemorado o Dia da Avó. Como médico de crianças há 45 anos, vejo e afirmo com absoluta certeza, como é importante a presença dessa criatura grandiosa na educação dos netos nos dias atuais. É que a mãe trabalha e não tem onde deixar o filho ou os filhos; a solução é a vovó ficar com eles. Se o avô for aposentado melhor ainda, por que são dois os amigos que irão cuidar das crianças. A relação entre avós e netos representa talvez um dos pontos de maior felicidade na vida de toda criança. Não há traumas na convivência de ambos. Os netos adoram ser cuidados pela vovó. Nos dias atuais o fiquei e o ficou da juventude, tem produzido muitas vovós antes dos 40 anos. Vejo esse quadro todos os dias no meu consultório. E as vovós felicíssimas; charmosas, elegantes, freqüentadoras de academias que nem parecem já possuírem o valoroso titulo de avós. Sentem-se realizadas com aquele belo presente enviado por Deus para alegria da casa. Portanto, de todas as formas os avós têm participação intensa na vida dos netos e, com certeza, o fazem com a maior satisfação. A querida vovó convivendo com seu netinho desempenha, às vezes, até a função de professora, ensinando as primeiras letras, corrigindo os deveres de casa e orientando da melhor maneira e com o maior carinho a educação dos netos. Há poucos dias, uma delas me contava que em um desses momentos de ensino com o neto de 8 anos disse: Doca, diga-me alguma coisa sobre Tiradentes. Tiradentes vovó, foi o homem que morreu enforcado. E a vó: Só isso Doquinha? E ele respondeu: Puxa vida, ele foi enforcado e a senhora ainda quer mais? Há poucos dias um vovô dizia no meu consultório: Calcule, doutor, que eu não tinha medo de morrer. Agora que sou avô fiquei com medo da morte, fiquei covarde. Quando adoeço fico apavorado. Um lembrete às mães: deixem seus filhos amar a vontade os avós. Esse amor não é competitivo com o seu, fiquem certas disso. A avó faz o seu trabalho como se estivesse celebrando uma liturgia, com imenso amor. Apesar disso, de quando uma vez surge alguma mamãe ciumenta achando que a sogra ou a própria mãe estão conseguindo privilégios. Na vida da criança a companhia dos avós é inesquecível. É verdade. Só o tempo dirá aos netos de hoje quando adultos, o valor desses momentos vividos com essas grandes figuras que se chamam vovó e vovô. Meus netos são meu tesouro. (*) É médico ([email protected]).