Opinião
Defesa necessária - Editorial
Não é apenas o Estado de Alagoas onde as vinditas criminosas marcam sua presença na história. Tal denominação, oriunda do italiano vendetta, inclusive, é nativa do primeiríssimo mundo, a partir das práticas de terror da máfia siciliana e sua congênere cosa nostra, de notória atuação (ainda hoje) nos Estados Unidos. No caso específico das vinditas contra autoridades, não podemos esquecer o caso da vingança da máfia contra os magistrados da famosa Operação Mãos Limpas. Ao se pretender seguir os bons e corajosos exemplos, é indispensável prevenir os malefícios provocados pelos que se sentiram prejudicados por essas boas e corajosas iniciativas. Não é possível enfrentar estruturas criminosas altamente organizadas, e poderosas socialmente, sem estar preparado para as represálias prováveis. No caso italiano Mãos Limpas (Mane Pulite), desencadeada com grande sucesso nos anos 90, os mafiosos ceifaram muitas vidas de servidores da Lei, sendo o óbito mais chocante o do juiz Giovanni Falcone, assassinado em 22 de maio de 1992. Na Itália a Operação Mãos Limpas foi uma ação prolongada de enorme extensão contra vários ramos poderosos da máfia, alcançando gigantes como o Banco Ambrosiano, o Banco de Vaticano e a Loja Maçônica P2. Em Alagoas, por mais importante que sejam as atuações em curso, a extensão é inegavelmente menor, se comparada com o caso italiano, mas o sentido é o mesmo: se busca desbaratar quadrilhas poderosas e detentoras de grande poder na sociedade. A reação dos bandidos deve ser coibida no nascedouro, sem contemplação, pois sabe-se que o crime reage quando atingido. A tentativa, felizmente malograda, de seqüestro do filho de um promotor deve servir de alerta. Ao ser eficiente em atacar o crime, é-se indispensável redobrada eficiência em defender quem ataca os criminosos.