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Sua majestade: a palavra

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| SUZY MAURÍCIO * Foi no dia 25 de julho de 1960 que a União Brasileira de Escritores, tendo como seu vice-presidente o nosso saudoso Jorge Amado, instituiu o Dia do Escritor, para homenagear aqueles que possuem o dom da escrita, que segundo Saramago, jornalista e escritor português: Somos todos escritores. Só que uns escrevem, outros não. Shakespeare nos leva a refletir: Ser ou não ser, eis a questão, poeta inglês que levou ao teatro, televisão, cinema e para a literatura mundial o amor por excelência.Também o russo Maiakoviski teve sua poesia no cinema e nunca aceitou a imposição de escrever o vazio óbvio, suas palavras, no Brasil, viraram canção: Ressuscita-me, nem que seja porque te esperava como um poeta, repelindo o absurdo cotidiano... Quero viver até o fim que me cabe!. O poeta nem sempre é um fingidor, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente, dizia Fernando Pessoa. A palavra é usada como refúgio às dores existenciais, talvez por isso Drummond escrevera sobre o sentimento do mundo. A história da humanidade tem seus abusos, crueldades e insanidades. Aqui a palavra é utilizada para abolir-se da incabível prisão, da senzala e da tuberculosa exclusão.O baiano Castro Alves, de poesia abolicionista e teor político e social,retratou bem esta época vergonhosa de nosso País: a escravidão. A vida é uma sucessão de fatos observáveis e registráveis, disse Lobato: Um País se faz com homens e livros, as fantasias existem e são fundamentais, e é por isso que o Sítio do pica-pau amarelo encanta gerações. Cecília Meireles, de palavra intimista e reflexiva, organizou a primeira biblioteca infantil do País em 1935: Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. A mulher é expoente na literatura e com fantástica contribuição social. A ucraniana Clarice Lispector, que residiu em Maceió nos anos 20, pontua: Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador... a palavra é o meu domínio sobre o mundo. A palavra é descrição, inquietação, protesto, linguagem, registro, lamento, memória e se espalha aos quatro cantos do mundo, em diversas línguas, culturas e credos. A escrita é algo que nos (me) dá prazer, é vontade que se repete... É como a música de Chico: algo que não tem descanso, nem nunca terá, o que não tem cansaço, o que não tem limite. O direito à liberdade de expressão nos concede a possibilidade de escrever para compreender o que é um ser humano, tal como quis Pablo Neruda, e sem ter de usar pseudônimos. (*) É psicóloga.

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