Opinião
Onda insustentável - Editorial
Na esteira do modismo global de beatificação do rótulo sustentável, replicado a três por quatro como palavra mágica pelas mais distintas tendências antigamente chamadas de ecológicas, desponta como a bola da vez os prédios sustentáveis. Marolas dessa onda já batem na areia brasileira. Embora seja duvidoso a existência (em pé) de um prédio que não seja sustentável, o termo veio para grudar, e como convém ao hábito tupiniquim de copiar as ondas do primeiro mundo, a bandeira começa a ser desfraldada por sobre os andaimes brasileiros. A bem da verdade, as preocupações reunidas no index da arquitetura sustentável, há muito fazem parte da agenda de estudos e experiências dos arquitetos, engenheiros e demais profissionais brasileiros envolvidos com a construção civil. Só para citar um exemplo, a própria Universidade Federal de Alagoas dispõe de um elogiável plantel de professores (mestres e doutores), além de alunos, dedicados a política de sistematizar conceitos e práticas construtivas em benefício da máxima harmonização possível entre a edificação e o meio ambiente, preocupando-se especialmente com a racionalização dos recursos naturais e energéticos. Mas, como se nada disso existisse, começam a cair de pára-quedas conceitos apresentados como produtos 100% importados. Não estariam querendo grudar o rótulo sustentável sobre estudos e soluções técnicas já praticadas pelos brasileiros? Pelo sim, pelo não, é bom prestar atenção aos dois anunciados primeiros prédios verdes do Brasil, ambos em São Paulo, segundo a certificação LEED (sigla em inglês para liderança em energia e projeto ambiental), definida pelo Conselho Americano de Construção Sustentável. E os estudos, e as soluções genuinamente brasileiras, serão esquecidas em benefício de similares estrangeiros pelos quais pagaremos caros royalties?