Opinião
Delitos toleráveis?

Volta e meia, retorna à pauta de discussão sobre cidadania e segurança pública no Brasil o exemplo da tolerância zero, implementada na maioria das cidades americanas a partir da construção deste conceito em Nova York. Sempre se criticou a tendência do brasileiro em macaquear o americano, copiando (na maioria dos casos toscamente) as modas e modismos lançados pela potência do Norte. Na imensa maioria dos casos, essa é uma crítica justa, pois o copiar do american way life tornou-se algo ridículo e despersonalizante. Mas, verdade seja dita, nem toda cópia pode ser considerada uma falsificação danosa; é-se necessário analisar caso a caso, em determinadas questões. O modo americano de tratar a segurança pública merece ser mais atentamente observado pelos brasileiros e, em alguns casos, por que não se refletir sobre algumas experiências que, aparentemente, deram certo ao Norte? É o caso do conceito da tolerância zero. Ser intolerante é coisa que, de saída, parece equivocado. Mas, a bem da verdade, não seria correto o conceito que não existe contravenção ou crime tão pequeno que possa ser considerado insignificante? Pela onda crescente de insegurança pública que assola o Brasil, e Alagoas em particular, parece ser hora de refletir sobre a formulação basilar expressa na teoria da janela quebrada, onde o dito é mais ou menos assim: Se você ignorar a janela quebrada de um prédio, outras janelas também serão quebradas. A área vai passar a ter uma imagem de abandono e a delinqüência penetrará na sua casa. Não seria o caso de raciocinar sobre isso em nosso caso? Ao testemunharmos o desrespeito aos bens públicos; ao enxergarmos motoristas afrontando as leis básicas do trânsito e da urbanidade; ao presenciarmos o crescimento da violência e tudo mais que temos sofrido, não seria hora de atualizar alguns conceitos?