Opinião
Empregos sob risco
Apesar das expectativas por marolas, as previsões do FMI (Fundo Monetário Internacional) para o crescimento brasileiro em 2009 não são nada alvissareiras. Segundo o FMI, o Brasil crescerá apenas 1,8% neste ano, contrariando a estimativa anterior do próprio fundo, quando foi estimado um crescimento de 3%. Para a economia mundial, a previsão, em novembro, era de crescimento de 2,2% em 2009, mas a revisão do FMI aponta para apenas 0,5%, o índice mais baixo desde a Segunda Grande Guerra. Segundo o relatório divulgado ontem, as revisões (para baixo) são explicadas como sendo reflexo direto das dificuldades financeiras mundiais, que seguem muito agudas, apesar das várias políticas de incentivo adotadas. Uma recuperação econômica sustentável não será possível até que a funcionalidade do setor financeiro seja restaurada e o mercado de crédito seja desobstruído, diz o documento. Sem dúvida, um cenário nada entusiasmante. Mesmo se reconhecendo que a queda na previsão brasileira foi menor que o baque mundial, não há como não ter ampliadas as preocupações para com o ano em curso. A redução das expectativas de crescimento faz ampliar a necessidade de serem planejadas e adotadas medidas extraordinárias de cunho socioeconômico, destinadas a proteger o emprego (é indiscutível a tendência de recrudescimento de demissões) e a evitar sequências de quebradeiras nos setores mais sensíveis da economia brasileira. Infelizmente, as lideranças sindicais brasileiras (e boa parte do empresariado) não emitem sinais de compreensão desta nova realidade, e ao se aferrarem a posições rígidas, contra toda e qualquer flexibilização (mesmo que temporária) nas normas vigentes antes da crise, podem multiplicar os efeitos danosos dessa onda, ou da marola que foi sem nunca ter sido.