Opinião
Grandeza da micro
Mais um ponto a favor da economia brasileira: segundo dados divulgados pela Serasa Experian, o número de falências ocorridas em 2009 foi o menor em quatro anos. A instituição que realizou a pesquisa considera que a recuperação econômica, iniciada em março de 2009, e o crescimento da economia brasileira a partir do último trimestre do ano como contribuição para o recuo. Como se sabe, as microempresas são as mais suscetíveis para mortes súbitas e essa fragilidade não mudou. 91,5% de todas as falências registradas em 2009 vitimaram microempreendimentos. Mas, noutro sintoma de vitalidade da economia brasileira, esse gigantesco percentual também é o menor no quadriênio. Os índices de mortalidade microempresarial anteriores indicam 92,2% em 2008, 95,5% em 2007, 95,2% em 2006 e 97,7% em 2005. Um dos detalhes mais importantes desta pesquisa é a confirmação da importância das microempresas no cenário econômico nacional, pois foi exatamente esta queda, computada neste segmento, a responsável pela redução do número total de falências, pois, segundo informações da mesma fonte, as médias e grandes empresas quebraram mais em 2009 que em 2008. Corretamente, a Serasa Experian avalia que as empresas desse porte sofreram mais com a crise, em razão da recessão nos mercados internacionais e da valorização do real. Esses são dados concretos que fortalecem a compreensão sobre o papel estratégico da microempresa no Brasil. Apesar de ser de difícil mensuração a exata contribuição do microempreendimento na nossa economia, em função da informalidade, tem-se certeza absoluta de que os principais empregadores são os empreendimentos de diminuto porte. E isso já seria argumento de sobra para valorizá-los. Menos de burocracia e mais apoio tributário faria este segmento crescer ainda mais.