Opinião
O perigo anda a pé?
Inoperantes há vários dias, os semáforos para pedestres localizados na área superior do viaduto José Aprígio Vilela, no Farol, estão provocando momentos de crescente tensão e perigos para quem ousa atravessar àquelas vias. Vias com grande fluxo de veículos e bom número de pedestres, a inoperância dos semáforos ocasiona cenas teratológicas, com grupos cada vez maiores de pessoas cada vez mais angustiadas a esperar, tensas, o momento menos perigoso para arriscar a vida, em tresloucadas carreiras, naqueles pontos desassistidos pela sinalização eletrônica. A situação fica mais constrangedora e preocupante quando se constata o apavoramento de pessoas com menos condição física para o velocismo (como obesos, idosos ou pessoas com alguma dificuldade motora) ao constatarem a inevitabilidade de terem de encetar uma corrida pela vida, vencendo os poucos metros de faixa de pedestres, a toda velocidade, buscando raros espaços vazios, ou o vácuo, entre um veículo e outro. São especialmente temerários os estudantes das várias escolas naquele perímetro, que, mormente em grupos, embalados pela adrenalina numa abundância típica da idade, investem entre os veículos, sem temer a manifesta intenção dos motoristas em não frearem seus carros. Há também os andarilhos corajosos, arrogantes, que, sem correr nem tremer, ousam atravessar a faixa como se na Europa estivessem; nariz empinado, empertigados, parecem desafiar aos choferes: Estou no meu direito, quero ver vocês me atropelarem!. Espera-se que, dentre atrevidos e apressados, ninguém seja atropelado por conta dos semáforos desativados. Espera-se que, ao fim e ao cabo, e sem vítimas, caminhantes e motoristas se eduquem, moto próprio, no respeito à faixa de pedestres, uma vez que o poder público parece pouco se importar com o drama dos sem-semáforo.