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DOM FERNANDO IÓRIO q A ressurreição de Jesus Cristo não foi alucinação dos apóstolos; muito menos, invenção, senão fato real. Nada de desejo piedoso dos apóstolos. Não se trata apenas de uma convicção da fé, pregada no querigma. Tem a fé, em sua base, a realidade do ressuscitado. Cristo não ressurge na pregação, no querigma, mas é pregado porque ressuscitou. A importância, o significado da sua pessoa e da sua ação são, ainda hoje, atuais. Jesus é testemunhado pelos discípulos como vivo e experimentado, como alguém que age no presente. O evento que os apóstolos experimentam e, logo após, anunciam é que Jesus está vivo, que lhes apareceu como vivente (Atos 1; 3), como realidade que se lhes impõe. Não foi a fé dos discípulos que ressuscitou Jesus, mas sim, o ressuscitado que os conduziu à fé e a sua missão. O Mestre não vive, graças a seus discípulos, ao contrário, são estes que vivem dele. A Mensagem da Ressurreição é testemunho de fé, mas não um produto da fé. Vivo está o Cristo em toda a Sua realidade pessoal. Lucas sublinha a corporeidade do ressuscitado: ?Vede minhas mãos e meus pés. Sou eu. Apalpai-me...? (Lucas 24,38ss). Não se trata de alucinação, mas de um fato real: Cristo Ressuscitado: ?Ele ressurgiu, dizem os anjos às mulheres, não está aqui.? Diga-se, ainda: não se trata de ressurreição de um puro espírito, mas de todo o ser pessoal de Jesus, ainda que transformado: é toda a Sua pessoa que está no ?poder do Pai?. Ressuscitado é aquele Jesus, homem histórico e concreto, por demais conhecido dos apóstolos e não, apenas, o seu ser espiritual. A ressurreição não significa redução, diminuição, mas, plenitude de vida. O ressuscitado não é libertado de sua corporeidade, mas ressurge com e na sua corporeidade. Nele, um fragmento do mundo chegou, definitivamente, a Deus e foi por Deus, definitivamente, acolhido. Dentro desse quadro, devemos compreender a afirmação neotestamentária do ?sepulcro vazio?, a revelar que se trata de uma ressurreição integral, envolvendo a corporeidade de Jesus. Devemos, ainda, afirmar que a ressurreição não significa um retorno de Jesus à vida terrestre, como Lázaro. É um acontecimento que se coloca para além das categorias históricas e lingüísticas ?espaço-temporais?. O ressuscitado está vivo na vida que nunca se finda. Está para além do que é por nós, experimentalmente, verificável e, adequadamente, exprimível. Na ressurreição está nossa esperança de ressuscitar para a vida, sem limite de tempo e de espaço. (q) BISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS

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