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H�spedes indesejados

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A polêmica em torno da hospedagem para Fernandinho Beira-Mar continua sendo uma das mais contundentes provas da ausência de uma política de segurança pública no País. Essa é uma herança que foi acentuada nos tempos de FHC, isso é verdade. Mas é igualmente verdadeira a obrigação do novo governo em oferecer novas propostas para esse velho problema, afinal, essa ausência de política nacional de segurança pública é algo público e notório. O caos é tal que o Estado brasileiro não sabe onde fazer cumprir pena os principais criminosos. O caso Beira-Mar é exemplar. Beira ao ridículo. Parece que um dos principais traficantes brasileiros causa mais problemas preso do que solto. Entre as grades, a liderança criminosa continuou a dar demonstrações de sua força e poder de fogo. Encarcerado num dos presídios de ?segurança máxima?, Beira-Mar conseguiu dar cabo de toda uma facção rival (também detida no mesmo local) com uma tranqüilidade e ferocidade que não havia alcançado antes, quando em liberdade. Nômade no sistema presidiário convencional brasileiro, pulando de cadeia (todas de ?segurança máxima?) em cadeia distantes enormidades de quilômetros, o líder do crime se faz seguir por um batalhão de advogados que assumem abertamente estarem sendo custeados pelo dinheiro do tráfico. Mesmo sem o uso do celular, as comunicações seguem sem mistério, pelos tradicionais meios, entre as partes da organização criminosa. E, com justa razão, nenhum Estado quer receber esse preso para estadias mais longas. Porque têm razão os que recusam? Pela falta de uma política nacional de segurança pública. Inexiste um sistema penitenciário nacional e, no fim, são os próprios estados (despreparados em recursos e meios) que têm de assumir o ônus de hospedar esses epicentros do crime. A cada liderança criminosa detida se acercam seus áulicos, tecendo sua organização, contaminando novos locais. Isso só será equacionado quando o Estado brasileiro, através de seus poderes constituídos, encarar a ausência dessa política nacional de segurança pública.

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