Opinião
Ufal: da utopia � reinven��o
LEDA ALMEIDA* A utopia está sitiada. A ela foi posto um desafio: ultrapassar a condição de sonho ingênuo, metamorfosear-se em esperança e constituir-se em concretude histórica. E a nós, remanescentes da velha utopia e situados historicamente, está posta a tarefa de propor e construir uma universidade aberta, democrática, bonita, de excelência acadêmica e voltada para as questões sociais. Uma universidade que pare de remoer problemas e pastorear rancores, que ultrapasse a mera descrição de suas misérias cotidianas e imediatas e seja propositiva. Uma universidade que acredite no amanhã e em seus membros: alunos, professores e funcionários. Para isso, deixemos que a utopia metamorfoseada em esperança invada o campus, inundando-o de perspectivas, de auto-estima e de compromisso com o bem querer da Ufal. É certo que as tarefas não são fáceis. A crise das universidades brasileiras ( agora acentuada pela perda de docentes e funcionários qualificados impelidos à aposentadoria, pela ausência de uma política salarial digna, pelo humilhante percentual de 1% de aumento concedido aos funcionários públicos transformados indistintamente em bode expiatório das mazelas dos governantes, pela falta de incentivos federais para a pesquisa, pelo corte de bolsas de pós-graduação, entre outros problemas ( é razão que leva ao desânimo e deixa o nosso espaço de trabalho com a marca da apatia. Apesar das adversidades, contudo, é necessário fazer de nossas vozes e de nossas ações elementos para a construção da crença e da certeza que é possível reinventar a realidade. Diz Eduardo Galeano que ?a consciência de nossas limitações é, sem dúvida, consciência da nossa realidade. Em meio à névoa de desesperança e da dúvida, é possível enfrentar as coisas cara a cara, e lutar corpo a corpo com elas ( partir de nossas limitações, mas contra elas?. Acredito que o fazer histórico é tarefa inacabada, onde nada está pronto ou pré-determinado. É preciso, pois, trazer para a história a alavanca que torna mais próximo do presente vivido o futuro desejado. Apesar das contradições vividas num país que não vê a universidade e o ensino como elementos prevalentes do desenvolvimento humano, urge que derrubemos barreiras, ultrapassemos fronteiras políticas ou de classes e inauguremos uma nova forma de pensar a Ufal e a sociedade. A missão de uma instituição de nível superior não se limita à entrega de canudos. É, sobretudo, produzir conhecimento e fazer uma reflexão sobre para quem serve esse conhecimento. Nós, membros da comunidade científica, somos aqueles que devem se portar inconformados com as condições que não permitem que se viva dignamente, somos aqueles que devem fazer da sua ação mais do que uma mera retórica, ou como diz o grande educador Paulo Freire: ?Devemos ser aqueles que defendem a expressão: eu falo a fala daquilo que faço?. Esta é nossa missão: responsabilizarmo-nos epistemologicamente, investigando a sociedade e assumindo o compromisso político com o aperfeiçoamento e a transformação da realidade. ?É preciso estar atento e forte? para não desanimar e apostar que é possível reinventar sempre. (*) É PROFESSORA DA UFAL