Opinião
A igreja dos jovens
DOM EDVALDO G. AMARAL SDB * Na hora em que se está procurando dinamizar o Setor Juventude no Regional Nordeste II da CNBB (Rio G. do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas), como vimos em Caruaru-PE, nos dias 27 a 30 de março último, parece oportuno recordar os sempre atuais pronunciamentos do episcopado latino-americano em Puebla, a respeito da Igreja de hoje, frente ao fenômeno ?juventude nos tempos atuais?. Dizia Puebla: ?Os jovens devem sentir que são Igreja, aceitando-a como lugar de comunhão e participação. Por isso, a Igreja recebe suas críticas, por se reconhecer limitada em seus membros e os quer responsáveis em sua construção como testemunhas e missionários enviados à classe juvenil? (nº 1.184). Na doutrina de Puebla, a Igreja vê na juventude uma força renovadora, símbolo da própria Igreja que está ?em constante renovação de si mesma, num incessante rejuvenescimento? como disse João Paulo II. A Igreja tem que mudar qualquer atitude de desconfiança ou incoerência para com os jovens. Por seu lado, os jovens vêem a Igreja de vários ângulos: - Diante do fato ?Igreja?, há uma massa indiferente, desinteressada, acomodada; - Uns a consideram força social atuante na renovação da sociedade, defensora dos oprimidos e injustiçados, mas só isso, sem nenhuma referência ao transcendente, ao espiritual, ao eterno; - Há os que procuram um Cristo, separado de seu corpo, que é a Igreja ? são os que dizem ?Cristo sim, Igreja não?; - Alguns a questionam para que ela seja autêntica e fiel à sua missão; - Finalmente, há ainda os que a amam como ela é: sacramento de Cristo na História dos homens. Na verdade, a Igreja confia nos jovens. Eles são a sua esperança. A Igreja vê nos jovens um grande potencial para o presente e o futuro da evangelização, por causa de seu número expressivo e seu dinamismo no corpo eclesial. O que ela pede é que os jovens busquem nela o lugar de sua comunhão com Deus e com os irmãos, a fim de construir a civilização do amor. Na Mensagem inicial aos povos da América Latina, dirigindo-se aos jovens, diziam os bispos: ?Convidamos de coração os jovens a vencer os obstáculos que ameaçam seu direito de participação, consciente e responsável, na construção de um mundo melhor. Já passou a hora do protesto, traduzido em formas exóticas ou mediante exaltações fora de hora. Chegou o momento da reflexão e da aceitação plena do desafio de viver em plenitude os valores do autêntico humanismo?. Puebla esboçou como traço característico da juventude de hoje o fato de ser ela especialmente sensível aos problemas sociais. Por isso mesmo, ela traz consigo uma boa dose de inconformismo, que tudo questiona; um espírito de aventura, que a leva a situações radicais, unido a uma capacidade criadora com respostas novas para um mundo novo e uma acentuada aspiração à emancipação de qualquer tutela, seja dos pais, seja dos educadores, seja da própria Igreja. Mas ao mesmo tempo, a Igreja reconhece que a juventude tem o papel dedinamizar o corpo social. Diante do egoísmo que domina o mundo de hoje, os jovens se sentem frustrados e enfastiados, diante da hipocrisia e do consumismo. Outros, em resposta, desejam sinceramente construir um mundo de paz, justiça e amor. Não poucos, porém, descobrem a alegria da entrega a Cristo, não obstante as exigências do Evangelho vivido no dia-a-dia. João Paulo II, que definiu magistralmente a juventude como a idade das opções, convida os jovens neste início de século a serem ?sentinelas do alvorecer?. O que desejamos, de todo coração, é que a sua opção seja pelo Cristo, a fim de que possam vigiar os caminhos da humanidade, levando-a em Cristo para novos avanços em ?águas mais profundas?. (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ.