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Justi�a racial

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Homem de reconhecido saber jurídico e sólida formação intelectual, Joaquim Barbosa Gomes, procurador da República no Rio de Janeiro, passa a representar, além de seus méritos, uma conquista histórica para a cidadania brasileira. Joaquim Barbosa Gomes é o primeiro negro a ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Sem nenhuma dúvida, um grande avanço para a afirmação positiva da diversidade racial brasileira num momento em que essa questão é discutida com justificadas paixões. Ressalte-se que essa indicação está acima de quaisquer polêmicas sobre políticas compensatórias como a discutível opção das cotas para afro-descendentes. É superior a todos esses debates o simbolismo dessa indicação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro negro a ocupar uma das cadeiras do Supremo Tribunal Federal (STF) o faz de forma inequívoca e inquestionável. Igualmente esse simbolismo estimula a reflexão de como nosso País ainda comporta injustiças sociais para com outras camadas étnicas que não a população superficialmente branca. Negros, mestiços, índios e tantas mais raças ainda são discriminadas no Brasil do século XXI. O Brasil é um país de população mestiça e isso é um mérito. Mas a democracia racial pretendida por Gilberto Freire ainda está longe de ser confirmada na maioria dos segmentos da vida nacional. Particularmente nos mais tradicionais setores de elite dos poderes públicos, as camadas étnicas que formam a maioria do ?povão? não estão proporcionalmente representadas. Isso ainda é um fato. Mas, com avanços como o da indicação do primeiro ministro negro do STF, esse quadro pode começar a mudar. Sem dúvida que essa evolução não pode ser uma responsabilidade atribuída a governos ou a líderes de senso político aguçado. Essa evolução deve ser produto do crescimento de um sentimento mais amplo de cidadania em todas as camadas do povo brasileiro. Nenhum tipo de preconceito pode ser eliminado por decreto. Cabe ao povo compreender, através desse e de outros exemplos, o quanto ainda precisamos avançar enquanto Nação que se assume multirracial.

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