Opinião
A nova gestão da Ufal e os cortes nas verbas
A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) tem dívidas acumuladas no valor de R$ 7,5 milhões. A declaração é da professora Valéria Correia, reitora eleita, que será empossada hoje, em Brasília. Na contramão dessa informação, o reitor Eurico Lôbo, que amanhã transmite o cargo para a eleita, garante que deixa quitados todos os processos empenhados até dezembro, referentes a compras e às construtoras responsáveis pelas obras em andamento na Federal alagoana. A dívida da universidade era de aproximadamente R$ 18 milhões até o final do ano. O governo federal liberou R$ 10 milhões em dezembro e o valor foi abatido. Mas assumimos a gestão com R$ 7,5 milhões a pagar declarou a nova reitora. Ela anunciou um plano de emergência para os primeiros 120 dias de sua gestão. O objetivo do planejamento que elaborou é superar o contingenciamento de recursos. Ou seja, a nova gestão tem que enfrentar os limites orçamentários, que impedem pagamento de despesas empenhadas e inscritas em restos a pagar. Para 2016, a Ufal tem previsão orçamentária de R$ 670 milhões. Mas as dificuldades geradas pela crise econômica e financeira do País, que tem levado o governo a cortar gastos em todas as áreas da administração pública, exige pés no chão. Em 2015, o Ministério da Educação (MEC) perdeu 10% do seu orçamento, ou seja, R$ 10,5 bilhões deixaram de ser investidos em educação. Os cortes atingiram programas como o Financiamento Estudantil (FIES) e o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), dois dos principais compromissos da presidente Dilma Roussef. O provável atraso no repasse e os cortes impostos pelo governo, que cortou bolsas de pesquisa e formação, bloqueou repasses e empurrou as instituições federais de ensino superior para a incerteza, são motivos suficientes para uma postura cautelosa. O alerta é inspirado na realidade deixada pelo antecessor Eurico Lôbo, que aponta a intensa articulação que manteve junto ao governo federal e ao Ministério da Educação (MEC) como fator decisivo para ter recebido um montante significativo de recursos nos últimos quatro anos. Seja como for, quem assume o comando de uma instituição como a Ufal deve compreender que a Universidade tem um papel a cumprir: produzir conhecimento para tornar a sociedade melhor.