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Opinião

Valdomiro Barbosa

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CÉLIA ROCHA * A história de Arapiraca tem sido escrita por grandes guerreiros. Homens e mulheres que não hesitaram ou hesitam em trabalhar pelo bem comum, pelas transformações sociais e por sonhos e projetos de futuro. Não foi diferente com Valdomiro Correia Barbosa que, em 1938, deixou o seu Engenho Taquara, em Limoeiro de Anadia para fazer moradia em Arapiraca, predestinado a construir o desenvolvimento deste município. Jovem, determinado, não temia dificuldades. Vivia entre o povo e era entre a gente mais humilde do município que ele tirava as lições mais objetivas. Seu maior projeto social foi gerar emprego e renda e a sua ação administrativa mais concreta foi implantar em Arapiraca a companhia de força e luz. Criou a primeira linha de ônibus de Arapiraca para Maceió e trouxe para a cidade as primeiras agências bancárias. Bem articulado, percebeu que o eixo da economia da região estava na exportação internacional do fumo, até então vendido para a Bahia, que mandava o produto para fora do País. Fez as malas, buscou parceiros, e foi à Europa negociar diretamente na fonte. Voltou vitorioso e os plantadores de fumo de Arapiraca passaram a vender o produto diretamente do município para outros países. Preocupado com a qualidade do produto, comprou, em Maceió, perto do cais do porto, no bairro de Jaraguá, um complexo de armazéns para guardar com segurança o fumo que seria exportado. Seu espírito empreendedor era inquieto. Valdomiro foi mascate, comerciante, construtor e funcionário público dos Correios, função na qual aposentou-se. Sua casa tinha as portas abertas à população mais carente, que ele incentivava sempre oferecendo trabalho e orientações. Em Arapiraca, Valdomiro casou-se com Maria de Lourdes de Almeida. Ela, na área da educação, contribuiu junto com o marido para que fosse a escola o maior instrumento de crescimento do povo arapiraquense. Filho e neto de homens que administraram Arapiraca, Valdomiro herdara o gosto pela política. Ajudou muitos deputados e governadores a se eleger, mas perdeu a eleição para a prefeitura municipal, em 1947, por menos de 40 votos. Nunca mais disputou qualquer processo eleitoral. Na semana passada, um enfarte fulminante nos tirou do convívio este desbravador, este homem valente que, aos 83 anos, ainda tinha muito a oferecer ao município de Arapiraca, com a sua lucidez, a sua experiência e a sua solidariedade tão fraterna. Como prefeita, sofro a perda de um desbravador e de um aliado do meu sonho de futuro para o município. Como sobrinha de Valdomiro, choro a falta que me fará seu carinho, sua doçura, sua alegria e seu otimismo constantes. Na dor da sua perda, fica a saudade de um povo que não esquecerá, jamais, quem ajudou a escrever a história de Arapiraca com tanta dignidade. (*) É PREFEITA DE ARAPIRACA

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