Opinião
Escolha da profiss�o
JOSÉ MEDEIROS * Uma estatística, para mim impressionante, motiva esta crônica: segundo dados do IBGE, 45% dos estudantes universitários abandonam o primeiro curso que escolheram, ora desistindo, ora fazendo opção por outra carreira de nível superior. Esse número que parece exagerado consta de importante trabalho sobre a educação brasileira, recentemente divulgado. Dá o que pensar. A que conclusões podemos chegar? Por que os estudantes abandonam o curso escolhido? ? São expectativas e esperanças não correspondidas? Dificuldades de assimilação dos conteúdos ensinados? Diferenças de métodos e práticas vigentes no ensino médio e superior? Voltemos às origens, à infância, com uma pergunta que é sempre repetida: o que você vai ser quando crescer? Mais cedo ou mais tarde esse questionamento terá resposta. Quando essa decisão é tomada na infância, perde-se extraordinário leque de opções de profissões modernas, moderníssimas, muitas das quais não constam do catálogo de ocupações regulares. Quando essa resolução é definida mais tarde, na adolescência, o aluno já deve ter tomado conhecimento de novas atividades no campo profissional. Até poucos anos ninguém falava em cursos de design e planejamento de games, economia ambiental, operador de telemarketing, analista de informação de rede, bio-direito, entre dezenas de outras ocupações. Em certo número de casos são enormes a interferência e a influência da família em relação à escolha. Pai jornalista, filho jornalista; pai médico, filha médica; pai advogado, filha advogada. Esses exemplos são de carreiras tradicionais tomadas ao acaso. Antes, o adolescente tinha tempo, escolhia o perfil profissional que desejava até os 18 anos; hoje, as decisões têm que acontecer prematuramente entre os 14 e 15 anos, devido ao PSS, método de avaliação atualmente adotado. Claro que essas regras têm muitas exceções; muitas vezes, crianças aos cinco ou seis anos escolhem o que vão ser no futuro e essa alternativa nada tem a ver com a opinião dos pais; é escolha própria. Existem os que decidem, desistem, pensam, repensam, e por ocasião da tomada da decisão ainda têm persistentes dúvidas. Conhecido articulista diz que moças e rapazes se deparam com a necessidade de tomar duas importantes decisões na vida: a escolha da profissão e a escolha do namorado e da namorada, enfim, do futuro cônjuge. Aconselha decidir pela opção profissional com o mesmo cuidado e esmero com que elegem o futuro companheiro (a). É necessário ?namorar?, também, a profissão, conhecê-la bem, em suas práticas e estilos de desempenho. E conclui: ?Não se apresse. A definição da profissão precisa ser cuidadosa. Leve em conta sua vocação, não confunda interesse com proposta de vida. Não aposte sua futura carreira no par ou ímpar, pois é sua própria vida que está sendo decidida?. Quando o tempo passar o leitor vai cobrar de si mesmo auto-realização pessoal. O tempo cronológico ? na sucessão de dias e horas ? pesará em seu trabalho, se estiver fazendo o que não gosta; aí esperará com ansiedade o final de cada expediente. Se, ao contrário, o tempo for ?psicológico?, de seu agrado, de auto-satisfação, o cansaço físico será esquecido, a jornada de trabalho será transformada em aprazível jornada de vida. Em quaisquer circunstâncias não se pode deixar de levar em conta o elenco de ocupações que estão sendo oferecidas no chamado mundo do trabalho para os próximos anos. Um dilema embaraçoso para a cabeça de muitos adolescentes. (*) é médico e ex-secretário de Educação e de Saúde