Opinião
Risco brasileiro
De uns tempos para cá, especialmente depois que o governo FHC promoveu uma brutal e atabalhoada abertura econômica (sem contrapartida do principal país interessado, os Estados Unidos), ouve-se falar demais em ?risco-Brasil?. Para quem ainda não sabe: empresas internacionais de consultoria, a serviço dos grandes especuladores internacionais, analisam o desempenho econômico de uma país e lhe atribuem notas, significando risco baixo ou alto. Quando do crescimento da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial passada, estas empresas apressaram-se em rebaixar o conceito do Brasil. O resultado foi a disparada do dólar, a fuga de capitais e a imposição de um acordo urgente com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para garantir aos investidores, principalmente os internacionais, que pouca coisa mudaria, com o advento do novo presidente. Naquele momento, estavam sendo amarrados os rumos do então futuro próximo da economia do País. Talvez os radicais do PT, distraídos pelo clima de campanha, não tenham notado isso, ou não tenham achado pertinente questionar a participação de seu partido nessas articulações que terminaram por levar a chancela da cúpula petista. Mas, de uma forma ou de outra, assim foi. Hoje, um clima de otimismo contagia o mercado (e parte do governo) particularmente nos últimos dois meses, com a volta dos níveis de recursos externos e cotação do câmbio. Eufórico, o Ministério da Fazenda enxerga num bloco de fatores conjunturais (a queda da cotação do dólar, o saldo recorde da balança comercial e o envio ao Congresso, das propostas tributárias e previdenciárias de acordo com o figurino do FMI) os pré-requisitos necessários para a retomada do crescimento. Será este o país dos sonhos? Só se for dos maiores bancos privados brasileiros, pois seus balancetes apresentaram, no primeiro trimestre de 2003, um lucro líquido 35,34% superior ao obtido no mesmo período de 2002. Para a maioria dos brasileiros, o Brasil real é outro: segundo estimativas da maioria dos analistas econômicos, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), nos primeiros três meses do ano, ficará próximo de zero ou sofrerá retração, se comparado ao mesmo período do ano passado. Aí está o verdadeiro risco para o Brasil e para os brasileiros: continuar longe do desenvolvimento.