Opinião
Aureliano Chaves
GUILHERME PALMEIRA * A morte de Aureliano Chaves evoca imediatamente três excepcionais qualidades aos que o conheceram, com ele conviveram e dele se aproximaram. São atributos cada vez mais raros na política, mais escassos na vida pública e, por isso mesmo, mais pranteados por quanto querem ver o Brasil no caminho do desenvolvimento e em plenitude da vida ética e da vida cívica, retomando os padrões da civilidade republicana. Ele não era só um homem correto pessoalmente. Era correto politicamente e mais correto, ainda, fraternalmente. Alguém que nunca enganou a ninguém, jamais cedeu aos princípios que pautaram sua vida e em nenhum momento renunciou as suas convicções. Uma palavra só serviria para sintetizara melhor parte de suas muitas qualidades: era um cidadão limpo, correto, nisso traduzindo as grandes virtudes da gente mineira que tanto deu ao Brasil. Como deputado, governador e vice-presidente da República, uma qualidade sobressaía sobre as demais, o equilíbrio que sempre pautou suas ações. Tinha os olhos postos no Brasil e o nacionalismo que sempre defendeu, a quem nunca renunciou e que jamais deixou de praticar, era puro, desinteressado o que fez dele um dos maiores defensores das grandes causas nacionais. Acima de tudo, amou sua pátria, defendeu seus interesses e por eles lutou, sem nunca recuar. Fez da dignidade de suas posturas um padrão de vida, uma referência nacional e um paradigma de sua atuação. Convivi com ele, nos mais dramáticos momentos da vida nacional, quando estava em jogo a restauração democrática. Jamais o vi hesitar. Nunca se queixou das injustiças que sofreu nem reclamou das ingratidões que tantas vezes marcam a vida dos homens públicos que põem em risco tudo o que conquistaram, quando está em jogo uma grande causa. Fez em Minas um governo exemplar. Foi um parlamentar atuante e um vice-presidente capaz de assumir riscos, quando o país dele mais necessitou. Aureliano Chaves era um exemplo de cidadão, um homem de bem, uma reserva moral que fez de sua história de vida uma senda de correção digna deser elogiada, um público que deve ser pranteado por todos que acreditam no Brasil. De todos nós que acompanhamos sua carreira, de quantos partilharam com ele graves e importantes decisões, sempre mereceu amizade, respeito e admiração. Se foi grande e exemplar em vida, maior ainda se torna quando se avalia a dimensão de sua existência, no momento lamentável e inevitável de sua morte. Seus descendentes, como seus amigos, saberão lembrá-lo como um dos maiores companheiros que tivemos a ventura de conhecer, admirar e respeitar. (*) É MINISTRO DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO