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Opinião

Desconfiança generalizada

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Pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria e divulgada ontem mostra um quadro desolador para o presidente Michel Temer. Apenas 5% dos entrevistados consideram seu governo bom ou ótimo, enquanto 21% o classificam de regular e 70% acham ruim ou péssimo. Segundo o Ibope, a aprovação de 5% é o menor índice desde o início da série histórica do instituto, que teve início em março de 1986. Esta é a segunda pesquisa Ibope encomendada pela CNI divulgada neste ano. No último levantamento, de março, Temer aparecia com aprovação de 10% dos entrevistados, enquanto 55% consideravam o governo ruim/péssimo e 31%, regular. Ou seja, caiu pela metade o número já reduzido de pessoas que aprovavam o governo. A confiança no presidente Temer também diminuiu. O número de entrevistados que confia no presidente recuou para 10% neste mês. Era 17% em março. Além disso, 52% consideram o governo Temer pior do que o de Dilma Rousseff. E as perspectivas para o restante do mandato do presidente também são negativas. O número de pessoas que acredita que o restante do governo será ruim ou péssimo subiu de 52% em março para 65% em julho. O resultado, porém, não pode ser visto como surpresa. A popularidade, que já era baixa por causa da crise econômica, caiu ainda mais a partir das novas delações que envolveram diretamente o presidente e aliados. As medidas adotadas pela equipe econômica ainda não surtiram os efeitos desejados, pelo menos que pudessem ser sentidos pela população. Em muitos casos, passam a impressão de que estão sendo tomadas de forma improvisada. Para completar, o governo vem anunciando medidas claramente impopulares, como as reformas trabalhista e previdenciária, enquanto corta investimentos, contingencia recursos e compromete o funcionamento de órgãos públicos. Ao mesmo tempo, o Planalto afaga parlamentares com a distribuição de emendas a granel, como forma de evitar que o Congresso autorize a abertura de investigação contra Temer por corrupção. É possível que Temer escape da investigação, entretanto há dúvidas sobre como o presidente vai conseguir reverter esse quadro de desconfiança e desalento e levar seu governo adiante até a posse do sucessor. Não parece que será uma tarefa fácil.

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