Opinião
Bons hábitos podem render mais do que aplicações
Em épocas como a que estamos vivendo atualmente com quedas nas taxas de juros nominais, puxadas pelas sucessivas quedas da SELIC (que se encontra no menor patamar histórico, a 6,5% ao ano), o cidadão tem que garimpar, ou seja, tem que escolher minuciosamente as aplicações financeiras. No caso de quem opta pela Renda Fixa precisa analisar criteriosamente os custos com taxas de administração e com o Imposto de Renda (que é regressivo e vai depender de quanto tempo o dinheiro ficará aplicado), uma vez que o retorno líquido das aplicações serão muito afetados por esses custos. Especialistas dizem que Fundos DI e Fundos de Renda Fixa que cobram taxas de administração superior a 1,0% podem apresentar rentabilidades líquidas menores do que a da caderneta de poupança. Vamos a alguns exemplos numéricos: um CDB de um grande banco que paga 90% do CDI terá um rendimento líquido anual que varia de 4,45% (alíquota de 22,5% do Imposto de Renda) a 4,89% (alíquota de 15% do Imposto de Renda), dependendo do prazo a ser resgatado; Uma LCI que paga 73% do CDI terá um rendimento líquido de 4,66% ao ano; A caderneta de poupança com a SELIC a 6,5% ao ano rende 4,55% mais a TR, que nos últimos 12 meses foi de 0,24%, o que totaliza um rendimento de 4,79% ao ano; O Tesouro-Inflação com vencimento em 2026 terá um rendimento líquido anual que varia de 5,02% (com taxa de administração de 0,5% e Imposto de Renda de 22,55%) a 6,02%(sem taxa de administração e com Imposto de Renda de 15%), dependendo do prazo a ser resgatado e da taxa de administração cobrada. Quem tem um pouco mais de dinheiro (tem bancos cujo valor mínimo a ser aplicado varia de R$ 1.000,00 a R$ 10.000,00) e não precisa de liquidez imediata pode conseguir melhores rendimentos aplicando em CDB´s, LCI´s e LCA´s de pequenos bancos. Paralelo a isso, além buscar uma aplicação que melhor remunera de acordo com o perfil, o cidadão pode adquirir hábitos saudáveis de educação financeira ao pagar à vista e pedir desconto, ao ter uma conta corrente de serviços essenciais e não pagar tarifa de manutenção, ao ter um cartão de crédito que não cobra anuidade, ao adotar estratégias de economia de água e energia elétrica (e ainda ajudar o meio-ambiente), ao adotar um plano de celular mais barato, ao reduzir o pacote da TV por assinatura de acordo com os canais que de fato ele assiste, ao reduzir o consumo de supérfluos, ao combater todo tipo de desperdício, entre outras boas práticas que farão com que a economia possa superar até mesmo os ganhos das aplicações financeiras supracitadas nesse cenário atual. Vamos a alguns exemplos numéricos: Um indivíduo que paga R$ 10,00 por mês para manter a sua conta corrente desembolsa R$ 120,00 ao ano, o que significa o rendimento de um ano de caderneta de poupança de quem aplicou aproximadamente R$ 2.505,22; Já um cidadão que paga R$ 15,00 por mês, gasta R$ 180,00 com a anuidade de seu cartão de crédito, o que significa o rendimento de um ano de um título do Tesouro-Inflação com vencimento em 2026 de quem aplicou aproximadamente R$ 2.990,03 numa corretora que não cobra taxa de administração e somente resgatará o título, no mínimo, após 720 para pagar a menor alíquota de Imposto de Renda, que é de 15%; Se um consumidor conseguir um desconto de 5% para pagar à vista, já supera o rendimento anual de uma LCI de um grande banco, em média; Se reduzir a despesa de R$ 55,00 para R$ 40,00 por mês com o celular, sua economia anual será a mesma calculada acima no exemplo do Tesouro-Inflação; Se diminuir gradativamente o tempo no banho vai economizar água e energia elétrica e poderá ampliar o gasto no supermercado e assim sucessivamente. Em suma, pode-se concluir que tão importante (ou até mais) do que buscar uma boa rentabilidade é ter bons hábitos de educação financeira. Você devolverá mais dinheiro ao seu bolso do que ganhará nas aplicações financeiras apresentadas acima. E toda vez que gastamos por algum serviço que temos no mercado com a mesma qualidade e gratuito (refiro às conta corrente e aos cartões de créditos que não cobram taxa alguma), estaremos jogando nosso dinheiro literalmente no lixo. Com isso, caro leitor, repense seus hábitos de educação financeira sempre e mais ainda nessa época de tendência de queda dos juros, pois o seu ganho se torna cada vez maior num cenário como o atual. Utilize bem o seu dinheiro e faça o mesmo trabalhar para você!