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Atraso escolar

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Dados divulgados ontem pelo Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, mostram que, no Brasil, há mais de 35 milhões de estudantes matriculados nos ensinos fundamental e médio. Entre eles, mais de sete milhões vão à escola, porém estão em situação de distorção idade-série, ou seja, possuem dois ou mais anos de atraso escolar. De acordo com o Unicef, a partir do estudo foi possível identificar que no ensino médio mais de 2,2 milhões de adolescentes estão em situação de distorção idade-série, o que corresponde a 28% dos jovens dessa etapa. Esse é o maior percentual de estudantes com dois ou mais anos de atraso escolar. As regiões brasileiras apresentaram de forma desigual a distorção de idade-série. Segundo a pesquisa, os indicadores mais elevados estão no Norte e no Nordeste, com 41% e 36%, respectivamente. Nas zonas urbanas, as populações indígenas e negras são as mais afetadas no que se refere à taxa de estudantes que estão com dois ou mais anos de atraso escolar: Na zona rural, o padrão da desigualdade é mais alarmante. Entre os negros e indígenas, a taxa de distorção é de 35,7% e 44,7%, respectivamente, mas entre os brancos fica em 18,2%. Em termos de gênero, ainda na zona rural, foi possível observar que a situação é mais grave no 6º ano, com 50% dos meninos e 30% das meninas matriculados em atraso escolar. No Brasil, o atraso escolar é um dos maiores obstáculos para a permanência na escola. De todas as taxas de atraso escolar, a mais séria é a de adolescentes entre 15 e 17 anos. Nessa faixa etária, a incidência chega a 56%. Uma das principais consequências dessa distorção é o baixo desempenho dos alunos em atraso escolar quando comparados aos alunos regulares, o que pode ser evidenciado pelos resultados inferiores aos esperados nas avaliações nacionais do ensino fundamental. Os mais afetados pelo atraso escolar são meninas e meninos vindos das camadas mais vulneráveis da população, que já privados de outros direitos. Como alerta o Unicef, é urgente desenvolver estratégias específicas para alcançar esses diferentes grupos populacionais e corrigir essa distorção, com a criação de classes específicas de aceleração para que esses estudantes possam recuperar o aprendizado e desenvolver suas habilidades.

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