Opinião
Mais eficácia
Chefes de estado e de governo de mais de 190 países estão reunidos esta semana em Nova York para a Assembleia Geral da ONU. O debate geral deste ano tem como tema central Tornar a ONU Relevante para Todas as Pessoas: Liderança Mundial e Responsabilidades Partilhadas para Sociedades Pacíficas, Equitativas e Sustentáveis. Seguindo a tradição iniciada há sete décadas pelo diplomata brasileiro Oswaldo Aranha, coube mais uma vez ao Brasil abrir o debate. Ao discursar ontem, o presidente Michel Temer criticou o isolacionismo, a intolerância e o unilateralismo. Segundo ele, essas questões podem comprometer o aprimoramento da ordem internacional, que há décadas vem sendo consolidada. Temer defendeu o multilateralismo nas negociações internacionais e disse que é preciso fortalecer a organização, tornando-a cada vez mais legítima e eficaz. Para isso, segundo ele, são necessárias reformas importantes, entre elas a do Conselho de Segurança, que, como está, reflete um mundo que já não existe mais. Criada há mais de 70 anos, a ONU tem como principal desafio atualmente permanecer relevante no século XXI, ser capaz de prevenir crises e de proporcionar aos estados-membros o apoio e as ações necessárias para garantir a paz e a segurança e o bem-estar dos povos. Assiste-se atualmente ao aumento dos protecionismos e dos nacionalismos em todo o mundo, fenômeno causado pela distribuição desequilibrada dos ganhos da globalização entre produtores e trabalhadores e pelas desigualdades entre os diferentes países. Em seu discurso na 73ª Assembleia Geral, por exemplo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou o seu lema Estados Unidos primeiro, atacando a burocracia global e afirmando que rejeita a ideologia da globalização. Na contramão dos apelos em favor do multilateralismo do secretário-geral da ONU, António Guterres, Trump dedicou parte do seu pronunciamento à importância de cada nação defender seus interesses e à exaltação de sentimentos patrióticos e nacionalistas. Organizações internacionais como a ONU não devem ser vistas como solução para todos os problemas mundiais, mas são imprescindíveis. É preciso que se tornem mais eficazes, para a construção de um planeta com menos desigualdade e com menos conflitos.