Opinião
Questão central
Entre as grandes expectativas criadas com a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República estão as medidas que o futuro governo tomará em relação à Educação. O presidente eleito já acenou que pretende focar sua ação na melhoria do ensino básico e citou exemplos como Coreia e Japão, o que é positivo. Por outro lado, já foi anunciado que o ensino superior passará a ser vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, medida que é vista com reservas por especialistas. A ideia da transferir do ensino superior para a Ciência e Tecnologia não é nova e parte do princípio que a estrutura do MEC é pesada e fragmentada. A simples transferência, porém, pode trazer dificuldades na regulação do ensino superior privado e na articulação de políticas como a de formação de professores. Há ainda a questão da autonomia financeira das 63 instituições públicas de ensino superior, um ponto até hoje nunca solucionado. Na questão do ensino básico, o programa do novo governo ressalta que os índices que avaliam a qualidade da educação mostram resultados ruins e que é preciso mais matemática, ciência e português, o que é verdade. Entretanto, pretende combater o que chama de doutrinação e sexualização precoce nas escolas. Para isso, defende o chamado projeto Escola sem partido, cujos críticos veem como uma forma de cercear o trabalho do professor e alegam que abordar as questões de gênero, por exemplo, auxilia o discurso sobre tolerância e o combate ao preconceito. Outro ponto polêmico de seu projeto é a adoção, em áreas rurais, do método de Educação a Distância para crianças acima de 6 anos, considerada uma alternativa onde as grandes distâncias dificultam ou impedem aulas presenciais. Especialistas dizem, porém, que a prática desconsidera o processo de formação do aluno, que incluem convivência e socialização. Além disso, estudantes de famílias muito pobres têm na merenda escolar acesso a alimentação decente. Caso priorize, de fato, a educação, o futuro governo precisará primeiramente contornar as dificuldades de investimento. Por lei aprovada por iniciativa do presidente Michel Temer, os gastos com a educação não podem crescer acima da inflação. De qualquer forma, se quiser seguir o exemplo coreano e japonês, precisará encarar a educação do ponto de vista econômico e social de inclusão das pessoas, como uma questão central no desenvolvimento do País.