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Opinião

Globalização

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DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * Vivemos em um mundo cristão e globalizado, porém, não deveremos perder nossa identidade, tendo em vista que a modernidade nos oferece meios favoráveis para o trabalho de evangelização. A palavra globalização é recente, mas sua realidade histórica é antiga, é fruto de um longo processo de mudanças, conflitos e intercâmbios. Na realidade, esse neologismo globalização foi criado por sociólogos, historiadores e politólogos, para designar a novidade estrutural que se estabeleceu com a internacionalização das relações entre os estados nacionais, blocos de poder e mercados. De uma maneira geral, pode-se descrever a globalização como sendo um processo de mudanças amplas, contraditórias e heterogêneas nas relações entre as sociedades, economias e culturas hoje existentes no planeta, dentro de uma dinâmica de dominação versus resistência e de interdependência versus dependência que comporta aspectos estruturais cujo controle escapa às mãos dos agentes do processo e, mais ainda, dos diretamente interessados. O Cristianismo hoje passa por um processo chamado: Privatização das opções religiosas. A religião que se professa nos dias atuais já não é aquela na qual se nasce, mas a que se escolhe. A religião que alguém elege para si hoje, escolhida de pluralidade em permanente expansão, também não é necessária mais à aquela que virá amanhã. Já se diz que vivemos em um mundo descartável em que os valores absolutos são facilmente substituídos e relegados. Começamos a viver um outro contexto, porque o religioso é agora um ser pouco fiel. Houve tempo em que a mudança de religião representava ruptura social e cultural. A conversão era drama pessoal, representava drástica mudança de vida. Mudar de religião hoje parece não comover ninguém, é como se mudar de religião fosse um direito líquido e certo daquele que se transformou numa espécie de consumido, consumidor religioso, como já se denominou esse convertido. O Santo padre, o Papa João Paulo II, sobre este tema fez três pronunciamentos oficiais. Em 1998, por ocasião da Jornada Mundial pela Paz, o Papa demonstra inquietações e dúvidas a respeito do que pode acontecer à paz do mundo, caso o atual modelo não for submetido a um redirecionamento que leve em conta o que se passa nos países do terceiro e quarto mundos. O segundo momento foi um discurso aos trabalhadores, por ocasião das celebrações do Ano Santo de 2000. O Papa faz uma excelente síntese, chamando a atenção para alguns pontos que a Igreja vê como critérios éticos para uma globalização benéfica. E o terceiro momento foi um texto nascido de uma proposição que os Bispos das três Américas, reunidos no Sínodo de 1999, apresentaram ao Papa e que ele aproveitou quase na íntegra em sua Exortação Apostólica Ecclesia in America. A globalização só será eficiente se for posta a serviço do homem fiel a sua vocação e de todos os homens ou servirá apenas a um desenvolvimento sem conexão com o princípio da solidariedade, da participação e sem levar em conta uma responsável subsidiariedade. Em sua larga experiência através dos tempos, a Igreja sempre soube encontrar no Evangelho e sob a luz do Espírito Santo, inspiração e discernimento para a permanente evolução do homem e sucessivas transformações da sociedade. Aí está um dos grandes desafios para o Cristianismo hoje. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ

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