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Administração transparente

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Roberto Bastos * O grande segredo da administração pública, com certeza é a prestação de contas e sua publicidade. A honestidade, o bom senso e a cidadania exigem que essas coisas tenham que acontecer. É o natural, o inverso é que é anormal. A divulgação independe da comunidade ser informatizada ou não. Existe um prefeito no interior do Ceará que divulga suas contas em murais e quadros de avisos, resumindo e transformando informações complexas em dados simples e compreensivos a toda população. Apesar de ser um homem de mais de oitenta anos, faz isso por obrigação, me parece que já há mais de um mandato. Quando se fala de projetos ou ações como o Siga Brasil, não se pode reclamar de que não está existindo um esforço do governo federal de publicizar suas ações. O executivo na União e a maioria dos estados brasileiros têm dado demonstração de compromisso com seus eleitores, seus cidadãos. Os municípios ainda devem muitas explicações aos munícipes, independente de terem uma comunidade informatizada ou não. Neste ente federativo ainda existem grandes furos. A justificativa é sempre a pobreza, o desconhecimento da lei. Eu duvido que a maioria não tenha no seu primeiro ato a contratação de um bom contador e um advogado e não tenha a preocupação de colocar em postos-chaves parentes próximos ou pessoas de extrema confiança. Mas, quando se refere aos outros poderes como estamos. O legislativo tem sido transparente com suas ações? E o que dizer do judiciário, principalmente o dos Estados? Os erros começam da elaboração dos orçamentos muito mais fictícios e mirabolantes, verdadeiros queijos suíços para não compará-los com invertebrados gasosos. Não tenho a intenção de generalizar, e minha realidade e conhecimento são limitados. Como se nota, algumas caixas pretas começam a ser desmontadas. Negar, encobrir ou se omitir diante do corpo mole, do desconhecer que a sociedade precisa saber onde estar sendo e de que forma os impostos pagos são aplicados é, no mínimo, inconseqüência. Não é necessário o escândalo, nem a caça às bruxas. Nessas atitudes intempestivas pode-se colocar inocentes e os mais frágeis na fogueira protegendo os verdadeiros ratos. O quadro é ainda muito grave, diante do número de administradores que pouco zelam pela coisa pública. Felizmente, os bons exemplos também existem e eles precisam aparecer mais. A averiguação e a correção dos possíveis erros, involuntários ou não, e as providências adequadas significam bom senso, responsabilidade, saúde e qualidade a administração pública. (*) É economista e membro do Instituto Silvio Viana.

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