loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A formatura

Ouvir
Compartilhar

Marcos Davi Melo* No ginásio do SESI um grupo de 80 jovens encerrava, com uma grande festa que varou a madrugada, um período de seis anos na faculdade. Era a turma de formandos em medicina da UFAL. Entre aqueles jovens que agora começavam uma nova vida, acompanhei de perto os últimos meses de dois deles. André e Daniel foram no vestibular a exeçao que confirma a regra: inteligentes e estudiosos, terminaram o colégio e passaram de primeira, o que é sempre muito difícil aqui e em qualquer lugar onde o vestibular de medicina é realizado com seriedade. E isto parece que foi ontem. Daniel, conheço-o desde pequenino e sempre foi um gordinho simpático. Colega de meu filho Marcel desde os primeiros anos de escola, são como irmãos. Como morava em um apartamento e nós em uma casa com jardim e garagem e os meus filhos sempre gostaram muito de praticar esportes, sempre que saiam da escola, iam lá para casa e passavam o dia jogando bola, subindo na goiabeira, no jambeiro, uma brincadeira sem fim. André, só vim conhecer recentemente, através dos relatos de seu pai, colega medico e companheiro das caminhadas da madrugada na orla. Naqueles momentos acompanhei a apreensão e ansiedade do pai enquanto o filho se submetia nos grandes centros do Pais às provas para a residência medica. Ser aprovado atualmente para uma residência medica respeitada e reconhecida pelo MEC é mais difícil do que passar no vestibular. O pai sofreu mais do que o formando e quando finalmente o filho foi aprovado e chamado, ele, coruja e já saudoso da ausência do filho, confessou: não sei se fico alegre ou triste. Em sua cabeça se misturavam a alegria da vitória e a tristeza da separação. Naquela noite de festa, Daniel, vestido em seu elegante smoking, estava eufórico. Rodeado pelo pai, a madrasta, os tios e os amigos fiéis. Aqueles mesmos amigos de sua infância. Parecia que a qualquer momento iriam botar um calção, subir na mesa ou embolar na lama. Mas não, hoje são advogados, engenheiros, médicos e se preparam para enfrentar o mundo. Daniel em nenhum momento deixou transparecer a frustração e a falta que a mãe lhe fazia, falecida poucos meses atrás. Definitivamente, esta é a separação que amadurece os homens para sempre. O dia amanheceu e aqueles mistos de meninos e homens continuaram dançando e cantando. Parecia que estavam na escolinha aprendendo o ABC, mas a realidade é que estavam adentrando sem volta e para sempre, o mundo real e inclemente dos adultos. (*) É médico.

Relacionadas