Opinião
Dia da Saúde, mas...
Mais um Dia Mundial da Saúde é lembrado neste 7 de abril com o País - para falarmos apenas sobre a realidade brasileira - ainda enfrentando sérios problemas no setor da saúde pública. Como mostram os indicadores, continuam as mortes por desnutrição, as doenças causadas por escassez de água, pela falta de saneamento básico, falta de leitos, de medicamentos básicos nos postos, as condições deploráveis de trabalho, os baixos salários, principalmente nos estados mais pobres, como os do Norte e Nordeste. Mesmo com o seu povo dispondo de uma das maiores conquistas em toda sua História: a garantia de assistência médica gratuita e de qualidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS), criado pela Constituição de 1988. As piores situações nessa área são antigas e até hoje sem soluções adequadas. Suas causas também estão ligadas ao fato de o gasto com a saúde pública por habitante no Brasil ser inferior a de muitos países, incluindo outros da América do Sul. Para agravá-las ainda mais, o governo federal continua promovendo cortes nas verbas indispensáveis à execução de ações ideais para a melhoria das condições de vida da população. Só o bloqueio de gastos federais e a restrição de crédito ao setor público - impostos por decreto do presidente Lula e uma resolução do Conselho Monetário Nacional, respectivamente - como informou a Folha Online, há poucos dias, ameaçam mais de 80% dos investimentos públicos previstos para a área de saneamento este ano. A continuar assim, com medidas que não atendem as necessidades, fica mais difícil atingir tal objetivo. Ou o cumprimento de várias metas da Declaração do Milênio, aprovadas em 2000 por representantes de 191 nações, inclusive do Brasil, sendo uma delas a de reduzir à metade, até 2015, o número de pessoas ainda sem acesso a saneamento básico no País.