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Desafios da medicina

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Marcos davi Melo * Estava dando uma aula prática esta semana para um grupo de estudantes da Escola de Ciências Médicas, quando, entre os pacientes apresentados aos estudantes, um despertou-lhes mais a atenção. Utilizo sempre a Santa Casa de Misericórdia de Maceió, onde o número de pacientes com câncer do SUS é muito elevado e os estudantes podem aproveitar e aprender bastante ao ver em poucos meses muitos casos desta enfermidade. O supracitado caso era o de um paciente de Matriz do Camaragibe, de 48 anos. Há quatro anos apareceram umas dores, com queimor na garganta, dificuldade para ingerir alguns alimentos. Tinha a sensação que um feixe de espinhos estava pregado em sua goela. Procurou um médico na rede pública que o repassou para o seu consultório privado, onde o submeteu a exames de endoscopia que diagnosticaram uma inflamação. O paciente era usuário contumaz de álcool e cigarro, dois fatores de risco para o câncer. Foi medicado, sem melhoras. Agora, quatro anos depois ele nos foi encaminhado por outro colega já com um diagnóstico firmado de câncer avançado do faringe, aquela mesma região que há quatro anos o incomoda. Após terminada a aula, os estudantes inevitavelmente perguntaram: naquela época já existia o câncer e não foi diagnosticado? O que houve: imperícia? Negligência? O câncer é uma doença crônica e traiçoeira. É possível que naquela época o paciente de Matriz do Camaragibe estivesse acometido só de uma irritação grave do faringe, que o uso contínuo e agressivo de álcool e fumo tenha levado ao câncer, mas também não é improvável que ele já fosse portador de um câncer inicial, que não foi diagnosticado na ocasião. O falso negativo é uma ameaça constante para a medicina. Soube-se que o ex-governador Manoel Gomes de Barros recebeu o diagnóstico de uma forma branda de leucemia. Relato estes dois casos recentes, entre os mais de 750 que acompanhamos mensalmente, que são muito diferentes, embora façam parte de um grupo de doenças catalogadas câncer. Primeiro que a persistência de sintomas como dor, dificuldade de ingerir, aparecimento de caroços, de sangramentos, alterações de sinais na pele, feridas que não cicatrizam na boca, perda de peso inexplicada, precisa ser investigada. Segundo que, mesmo sem sentir nada, o homem e a mulher devem realizar rotineiramente exames de prevenção. Ontem foi celebrado o Dia Mundial Contra o Câncer, enfermidade que mata 11 milhões de pessoas em todo o mundo. (*) É médico

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