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Opinião

Patrimônio histórico

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A comoção pela morte do papa João Paulo II despertou a atenção das autoridades alagoanas para o bem público popularmente conhecido como Papódromo. Marco da visita do Sumo Pontífice às terras alagoanas, estrategicamente situado às margens da bela Lagoa Mundaú, emoldurado diariamente pelo majestoso poente vislumbrado daquele ponto, aquele espaço estava relativamente abandonado, quase esquecido. Na celebração da missa do sétimo dia em memória do falecimento de Karol Woytilla, o Papódromo recuperou seu resplendor. Para felicidade dos alagoanos, será ótimo se essa disposição de reconhecer o valor daquele sítio seja tornada perene. O Papódromo se confirma como um dos imóveis históricos mais valiosos de Alagoas. Imóvel tão ou mais precioso quanto as igrejas centenárias de Penedo ou Marechal Deodoro. Construção contemporânea, simples e arrojada ao mesmo tempo, deve ter seu valor reconhecido pelo tombamento oficial sem mais demora. Há exemplos negativos confirmados pela demolição da Casa Rosa. Às vezes o abandono é mais danoso que a derrubada pura e simples, até porque destrói o bem aos poucos, silentemente. Isso é o que está demolindo as igrejas de Marechal Deodoro. Que esse momento mundial de Paz e tributo unânime a João Paulo II mantenha o foco de sua luz também sobre o Papódromo e o salve do descaso, do esquecimento e do abandono. Que o Papódromo, assim como a antiga sede da Arquidiocese de Maceió, assim como as igrejas de Marechal Deodoro, sejam objeto da preocupação e dos investimentos dos poderes públicos. Que o Espaço Cultural João Paulo II tenha, pelo menos a partir de agora, a devida atenção e que seja oficialmente reconhecido como patrimônio histórico do povo alagoano.

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