Opinião
O papa da paz
Milton Hênio * O mundo assistiu emocionado e unido em oração à partida do seu grande líder, o papa João Paulo II. Bush e os demais presidentes que lá estavam, inclusive o nosso Lula, devem ter ficado perplexos diante da grandeza da manifestação humana, espontânea, afetiva para um homem que não tinha riqueza, não possuía exércitos poderosos, não tinha família influente, mas que dominou o mundo de forma semelhante ao Cristo, pelo amor. Sua obsessão era a paz. Tipo simples de ser humano, semblante de sofrimento e tristeza, dava a impressão de que estava sempre preocupado com as misérias vividas e praticadas pelo homem contra os seus semelhantes. Em uma das orações lidas por ele na Praça de São Pedro, há seis meses, está escrito: Deus, nosso Pai, Tu que escutas sempre o clamor dos pobres, muitas vezes não Te reconhecemos naqueles que têm fome, têm sede, estão desnudos, aqueles que são perseguidos, aqueles que são encarcerados, aqueles que não têm nenhuma possibilidade de se defender, principalmente nas primeiras etapas da existência. Por todos aqueles que cometeram injustiças, confiando apenas no poder e na riqueza, desprezando o ser humano nós Te pedimos perdão. Tem piedade de nós. É essencialmente importante esse apelo de João Paulo II ao Criador, angustiado que sempre foi diante da problemática de um mundo sofrido. Acredito que em meio a tantos problemas no silêncio de suas orações, ele perguntava a Deus: Que farei? Não tenho meios para acudir a tantos desses fiéis. Ajudai-me oh Senhor. Elizabeth Lesseur dizia que uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro. E essa foi a posição do papa. Acredito que dificilmente terá um substituto igual a ele; muito difícil. Quando esteve no Brasil, ele disse: Convido-vos a intensificar os esforços para motivar a vida humana e ajudar na felicidade daqueles que não têm vez. As gerações de hoje jamais o esquecerão. Ficará na história como o melhor papa que a igreja possuiu desde São Pedro. Com sua mansidão, ele mostrava aos homens que é possível sonhar com um mundo diferente sem fome, sem injustiças, sem discriminação. E ter esperança é continuar parceiro de Deus e dos homens de boa vontade, destruindo fronteiras, construindo pontes e não sendo ilhas. Teu exemplo, saudoso João Paulo II, ficará eternamente. João Paulo II lutou para o mundo ser feliz, esse mundo globalizado, materializado e desconectado com Deus e que encontra muitas dificuldades para entender o mistério da cruz. Agora, ao lado do Cristo, ajude-nos João Paulo II nessa caminhada terrena. (*) É médico ([email protected])